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Projeto Rubem Braga leva mundo do cinema para escolas da rede pública de ensino
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Por Pedro Vargas (pedrovargaseira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes
Escolas da rede pública de ensino municipal e estadual puderam vivenciar, desde o início do mês de junho até esta quinta-feira (22), uma experiência de cultura e arte dentro do mundo do cinema. Esta ação só foi possível graças ao "Cineclube Animazul", projeto do Instituto Marlin Azul, patrocinado pela Lei Rubem Braga da Secretaria Municipal de Cultura de Vitória (Semc).
Em abril, o projeto disponibilizou gratuitamente inscrições para as escolas e instituições sociais de Vitória, e também fora da cidade, que tivessem interesse em receber a ação. A seleção foi por ordem de inscrição e ao todo foram realizadas 50 apresentações, sendo 30 delas para escolas municipais da capital.
"A procura foi tão grande que em apenas três dias as vagas foram preenchidas e tivemos que abrir uma lista de suplentes para o projeto", comemora a coordenadora do Instituto Marlin Azul, Beatriz Lindenberg.
A programação do projeto, que também recebeu apoio do Funcultura, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado, foi composta por sessões de curtas-metragens capixabas e brasileiros seguidas de bate-papo sobre a linguagem audiovisual e as temáticas abordadas pelas obras autorais.
"Além de assistir e debater animações, ficções e documentários, os estudantes participaram de simulações de cenas a partir da invenção da história, a escolha do cenário, a criação de personagens e diálogos e o contato com o kit básico de filmagem como a câmera, o tripé, o refletor, o microfone e a claquete", conta Beatriz.
Aprendizado
Para a estudante do 4º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef), Padre Anchieta, Luíza Cunha Mourão, de 9 anos de idade, a lição foi de muito aprendizado. "Eu achei muito legal. A gente aprendeu várias coisas sobre os filmes. O mais interessante foi a sessão de cinema. O que eu mais gostei foi aquele filme sobre a ida à escola (No Caminho da Escola). Gostei porque a gente tem que aprender a viver no nosso próprio mundo. O que mais me surpreendeu foi fazer o filme porque eu nunca tinha feito. Eu era a mãe na cena", comenta.
Além das sessões de cinema, os estudantes ainda conheceram os brinquedos ópticos, entre eles, o taumatrópio, flipbook, zootrópio horizontal e vertical, fenactoscópio e o praxinoscópio. Surgidos a partir de 1820, estes dispositivos ópticos-mecânicos criam a ilusão do movimento e ajudam a entender o princípio básico do cinema de animação.
Não só os estudantes aprovaram as atividades do projeto, como também os docentes ficaram contentes e satisfeitos com a iniciativa.
"Eu achei o máximo! Amei! Tive até algumas ideias para trabalhar com os alunos em sala de aula como a construção do taumatróprio (brinquedo óptico mecânico) porque eles gostaram muito e é fácil de montar. Tanto o brinquedo do palitinho quanto o do barbante. Esse passeio contribui muito com o meu trabalho em sala de aula. Inclusive, durante a gravação da cena, percebemos que um dos alunos se identificou com a atividade de encenação. É um aluno um pouco mais agitado na sala, que sente a necessidade de falar o tempo inteiro, até nos momentos que a turma está mais calma. Vamos conversar com a mãe para ver se existe algum projeto para inserir o filho nesta questão de encenar", declarou a professora do 3º ano da EmefÁlvaro de Castro Mattos, Michelli Frigine Fraga.
Encontros
Os encontros cumpriram um cronograma que teve início no dia 20 de abril e foi concluído nesta quinta-feira (22). As visitas foram realizadas nos turnos matutino e vespertino. Somente em Vitória, na rede municipal de ensino, o projeto atendeu a um total de 803 pessoas entre estudantes, professores e pedagogos nas 30 escolas visitadas.
Cada escola ou instituição participante poderia mobilizar uma turma com até 35 alunos, acompanhados por responsáveis da escola.
Cineclube Animazul
O Cine Animazul, que iniciou suas atividades em 2017, tem por objetivo promover a introdução à linguagem do cinema de forma prática, lúdica e envolvente e contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade e da capacidade de interpretação e análise crítica dos participantes. A ideia é desmistificar o processo de criação artística, despertar o interesse pelo audiovisual como forma de fruição, expressão e comunicação, aproximar os estudantes da linguagem do cinema e estimular o uso do audiovisual nas escolas.
A equipe dos debates de filmes e workshops é formada por integrantes do Núcleo Animazul, Ponto de Cultura atuante desde 2004, com trabalho reconhecido de oficinas audiovisuais em escolas públicas municipais. Marinéia Anatório e Ariane Piñero são duas professoras animadoras, que iniciaram a formação audiovisual nas primeiras oficinas nas escolas da Prefeitura de Vitória (Projeto Animação/IMA) e que atualmente ministram os workshops e atuam como mediadoras dos debates dos filmes do Cine Animazul.
"O Cine Animazul é um espaço acolhedor e divertido que funciona como uma extensão da escola ao propor novas formas de aprender, de ampliar os horizontes de informação e cultura e de construir um novo olhar para os conteúdos audiovisuais por meio de atividades cineclubistas. Queremos incentivar o uso regular do audiovisual como ferramenta pedagógica, lúdica e de sensibilização nas escolas e instituições", finaliza Beatriz.



