Porteiro e ator: Tio Zé acolhe crianças e participa das atividades no Cmei Nelcy
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Por Brunella França, com edição de Matheus Thebaldi
Brunella França
Porteiro Tio Zé atua no Cmei Nelcy da Silva Fraga, localizado no bairro São Cristóvão, há 17 anos
O primeiro "bom dia" ou "boa tarde" ao chegar à escola e o primeiro rosto com o qual estudantes de todas as idades se deparam diariamente são do profissional que fica na portaria. No Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Nelcy da Silva Braga, localizado no bairro São Cristóvão, esse rosto, há 17 anos, é o do "Tio Zé".
Com jeito de cowboy, José Rodrigues da Silva, de 63 anos, o Tio Zé, além de receber as crianças e famílias é, nas palavras da diretora Priscilla Harrigan, “patrimônio do Cmei Nelcy”. Hoje, algumas daquelas crianças que ele recebia com um bom dia, um sorriso ou um abraço estão levando os filhos para a escola.
"Hoje em dia, tem gente trazendo os filhos para o Cmei que passou por mim enquanto eram crianças. Todos os teatros na escola, eles me chamam para participar. Mesmo no dia que estou de folga, eles me pedem para vir. É muito gratificante isso. Já fiz tanto personagem que nem me lembro, fiz papel de palhaço, príncipe, noivo, noiva, padre, gato, rato, até de Lampião. Como eu sou adolescente ainda, eu participo. Eu me sinto ainda criança por dentro", disse o porteiro e ator, que, nesta sexta-feira (11), dará vida a um pirata no teatro para as crianças.
Aprendizado
Brunella França
Tio Zé e diretora Priscilla Harrigan na entrada do Cmei. Segundo ela, o porteiro é "patrimônio" da unidade de ensino
Tio Zé começou trabalhando numa antiga fábrica de manilhas da Prefeitura de Vitória. Depois, atuou como segurança na Secretaria de Esportes e, em meados dos anos 2000, chegou à Secretaria de Educação, como Agente de Suporte Operacional (ASO).
A vivência e o contato diário com as crianças se tornaram motivo de alegria. "No começo, não foi fácil. Eu era meio 'bicho do mato', nasci na roça, nunca esperava que eu fosse trabalhar com criança. Nesse tempo aqui, eu aprendi muito. Tem que dar respeito para a criança para ela respeitar. Eles me ensinam muito", contou ele, orgulhoso.
Tio Zé tem três filhos e seis netos, mas também considera as crianças e os profissionais do Cmei como parte da família. "Eles trazem pedaço de bolo, uma bala, um chiclete, um pirulito. Eu trabalho feliz o dia todo. Na pandemia, foi difícil, porque eu moro sozinho, mas todo dia uma professora, pedagoga ou alguém ligava pra mim, para saber se eu estava precisando de alguma coisa e para conversar. Mas é melhor estar aqui", revelou.
Presente
Para a diretora do Cmei, Priscilla Harrigan, Tio Zé é um presente. Amigo da escola, ele já foi membro do Conselho Escolar e está sempre pronto e disposto a ajudar quando necessário.
"Tio Zé é um presente, ele está aqui há 17 anos. Ele é patrimônio do Cmei Nelcy. Há mães que hoje vêm trazer os filhos que eram crianças quando o Tio Zé era porteiro. Ele conhece as crianças e as famílias e ajuda na adaptação à escola. Brinca, faz graça, participa das atividades, de teatro e de chá de bebê. É uma felicidade tê-lo aqui", afirmou.
Este ano, Tio Zé deve se aposentar, já tendo dado entrada no pedido após 37 anos como servidor do município, mas disse que nunca se esquecerá dos amigos que fez e, especialmente, das crianças.
"Para ser feliz, você tem que fazer o que gosta. Hoje, eu sou feliz e tenho muito orgulho do que eu faço, porque faço com amor", ensinou.
Data
A Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores de Edifícios e Condomínios, que abrange os profissionais que trabalham nas portarias, definiu o dia 9 de junho como Dia do Porteiro. No entanto, não se sabe ao certo as razões para a escolha específica da data.