Imprensa
Mesmo com chuva escolas empolgam na primeira noite de desfile do Grupo Especial
Publicada em
Por SEGOV/SUB-COM (secomeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Deyvison Longui
Com a colaboração de Fabrício Faustini
Pega no Samba
Foi com chuva, mas sem perder a animação, que a escola Pega no Samba deu início a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de Vitória, no Sambão do Povo. Os 1,5 mil componentes não desanimaram.
A empolgação ficou por conta do enredo Irmandade de Misericórdia - Curar às Vezes Remediar e Consolar Sempre. A escola apresentou a história da cura, desde os rituais africanos até a criação do Hospital Santa Casa de Misericórdia, que oferece assistência e amparo, passando pelo que há de mais moderno na área médica.
Uma das passistas da escola, grávida e simpática, chamou a atenção pela alegria, apesar do peso do barrigão. A comissão de frente deu um espetáculo à parte, com os componentes evoluindo na avenida com passos coreografados. A ala das baianas estavam representando Nossa Senhora da Penha, com fantasias coloridas nas cores da santa padroeira do Espírito Santo.
Os carros alegóricos que entraram na avenida com grandes esculturas também chamaram a atenção. Um deles, o que encerrou o desfile, representava a Santa Casa e trouxe vários destaques com fantasias de enfermeiros. Foram três carros alegóricos para contar os ritos e supertições na arte de curar.
Um dos carros da escola, que simbolizava a maternidade e trazia uma escultura gigante de um bebê,apresentou problemas e não entrou na avenida. A alegoria precisou ser guinchada do Sambão do Povo, o que gerou aflição e desconforto.
Tradição Serrana
A chuva também não parou durante o desfile da escola de samba Tradição Serrana, segunda agremiação a se apresentar no Sambão já na madrugada deste sábado. A escola do município da Serra entrou na avenida para contar a história do surgimento através do amor de um casal de índios.
Com o tema "De Paranapuã à Serra Encantada dos deuses Temiminós", os 1,5 mil componentes espalhados pelas 18 alas não perderam o encanto, apesar de grande parte das suas alegorias terem sido prejudicadas pelo volume d'água que caiu durante a apresentação.
A escola trouxe novidades, com seus carros alegóricos com movimentos, fantasias coloridas e três casais de mestre-sala e porta-bandeira. A águia, símbolo da escola, veio no último carro. Uma grande ala formada por crianças de comunidades da Serra provocou admiração dos presentes.
Sua passagem no sambódromo foi marcado por lendas, mitos, magias e histórias que deram origem ao município da Serra. A bateria encantou sendo representada pelo Deus do ódio na linguagem
Imperatriz do Forte
A escola de samba Imperatriz do Forte foi prejudicada pela quebra de um dos carros alegóricos e deverá perder pontos. A segunda alegoria teve problemas para entrar na avenida e as alas que estavam atrás dela precisaram correr e, com isso, a evolução e a harmonia foram prejudicadas.
A escola entrou na avenida com o enredo "Do barro a surgir, num toque moldar. Num ladrinho a história da arte criar". Com muito verde, amarelo e rosa nas fantasias, a escola seguiu acelerada. Com o enredo, a escola quis mostrar o uso do barro, seu lado original e as formas que tomam corpo pela criatividade transformadora da arte.
Foram 1,8 mil componentes, 19 alas e quatro alegorias. O ponto alto da passagem da escola pela avenida foi a bateria intensa comandada pelo mestre Reginaldo. Os ritmistas inovaram, com paradinha ao som forte do funk.
Mesmo com o problema em um dos carros, a agremiação entrou na avenida com quatro alegorias. As três últimas, no entanto, precisaram correr para não deixar buracos durante o desfile. A Velha Guarda levou emoção especial da escola para a avenida. Na pista, a história de pessoas que dedicaram a vida ao samba e a ritmos que tocam o coração.
Boa Vista
A Independente de Boa Vista, atual campeã do carnaval capixaba, entrou na avenida disposta a conquistar o título de novo. A alegria e crença dos componentes mostraram a confiança na arquibancada. Com o enredo "Mãe Terra reciclar é preciso", fácil de ser cantado, a escola de Cariacica mostrou porque foi vencedora e a sede de estar em primeiro mais uma vez.
A escola fez um desfile caprichado. Não faltou bom gosto e irreverência às fantasias. Os efeitos especiais também tiveram destaque. Ao retratar a poluição, a escola fez o público pensar. O maior desafio foi tocar os foliões e a todos que estavam no Sambão e fazer com que compreendessem que também são culpados pelo descaso com meio ambiente
Com um grito de alerta para a conscientização da preservação do meio ambiente, a Boa Vista contou em verso e prosa o pedido de que a terra precisa viver, ser cuidada, valorizada. "A independente deseja atingir o coração, a sensibilidade, a angústia do folião", disse uma torcedora crente que o título já é da escola de Cariacica.
"Hoje a ciência avançou. Por isso a natureza chora. Implora vendo o caos, destruição. Tanta desigualdade, é irmão contra irmão. Lutar, vencer, sobreviver. E não queimar, nem destruir o meu lugar". Assim, o enredo fez os foliões pensarem.
Um dos pontos fortes da escola foi a bateria do mestre Picolé, Suas paradinhas estratégicas levantaram o público. A escola apostou no tom prateado. O brilho foi inevitável, assim como os tons fortes do colorido das fantasias e adereços. Destaque ainda para o luxo e as cores da fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira que giravam compassados.
A Boa Vista foi a penúltima escola a desfilar na passarela do samba. Encerrou seu desfile com o carro que trazia a frase "Preservar a natureza eu vou". A agremiação trouxe o alerta. Falou de reciclagem e citou Paulo Cesar Pinheiro. "Minha água guerreira, vem pra dizer quem não faz não espera acontecer", dizia o samba, encerrado com "A Terra que eu amo precisa viver".
Novo Império
O primeiro dia de desfile do grupo especial do carnaval de Vitória foi encerrado pela Novo Império, quinta escola da noite. Já passavam das 5 horas da manhã quando a escola entrou na avenida.
Com o enredo "Saiu do papel Meu carnaval" a agremiação da Grande Santo Antônio se esforçou, animou as arquibancadas e o público que persistiu até o final do dia pelo amor ao samba. Uma das maiores invenções da história teve o destaque merecido. Da criação do papel na China, seu legado, sua utilização em livros e pela imprensa tudo foi abordado.
O enredo contemplou ainda o uso consciente do papel, a importância de sua reciclagem e o respeito à natureza. Numa época de desperdício, o público interagiu e animou arquibancadas e camarotes.
A bateria do mestre Marcelino manteve o ritmo. Com sua animação, não permitiu que ninguém ficasse parado. As paradinhas da bateria, junto com as madrinhas e rainhas marcaram o público que, aos gritos, reconhecia o brilho dos participantes.
A comissão de frente chamou a atenção com passos coreografados e levou para o desfile um tripé que simbolizava a caixa de sonhos. A escola entrou com quatro carros alegóricos, esculturas grandiosas e movimentadas. Foram 1,5 mil componentes em 16 alas.
No final, foi relembrada uma época em que pessoas escreviam cartas de amor. "Emociona e deixa saudades. Escrevi no papel minha inspiração. Dediquei poesia em forma de canção. Hoje meu coração pega fogo, inflama..." a letra diz muito, sensibiliza. Ao amanhecer, a Novo Império deixou a avenida. Em seguida, tudo já começava a ser preparado para o Sambão voltar a se animar já na noite do mesmo dia.