Exposição e livro utilizam a fotografia para abordar a questão carcerária
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Por Leo Vais, com edição de Matheus Thebaldi
Imagem divulgação
Livro "Artificialidade" enfoca as experiências vividas pelos internos no sistema prisional
Com a proposta de jogar luz sobre a realidade invisível do sistema prisional, a especialista em Direito Público e mestre em Política Social Bruna Bolonha de Menezes lança, nesta terça-feira (8), a partir das 19 horas, na Casa Porto das Artes Plásticas, o livro e a exposição fotográfica “Artificialidade”.
"Artificialidade, além de ser um projeto que pretende abordar as questões e condições a que estão submetidos os internos, busca, através das fotografias, ressaltar o ser humano encarcerado, retirando as máscaras impostas a ele pelo sistema prisional", explicou Bruna.
O trabalho nasceu das vivências cotidianas de Bolonha, e as fotos são resultado de uma visita ao presídio de Xuri, em Vila Velha. "A ideia do projeto surgiu das minhas experiências profissionais e acadêmicas, nas quais pude perceber a violência do sistema prisional e que as consequências do encarceramento são levadas pelos internos por toda a vida, considerando que a privação de liberdade, por si só, resulta na despersonalização e artificialização dos sujeitos aprisionados".
Bruna acredita que é preciso uma inversão do ponto de vista sobre a vivência carcerária. "É necessário que a sociedade passe a observar, por outro ângulo, a questão prisional. O cárcere não pode continuar a ser utilizado como resposta à criminalidade e à violência, que são complexos e multicausais. É preciso atentar-se que nada de bom acontece no confinamento. Não existe vida, muito menos dignidade".
Parceiros
O projeto "Artificialidade" contou com uma série de parceiros durante o processo de execução. O livro, que conta com 30 imagens, tem pesquisa de campo do projeto sobre a saúde mental no sistema prisional do doutorando em Saúde Pública Eduardo Torre, além do projeto visual do designer gráfico Paulo Prot e tratamento das imagens do fotógrafo Jean Vargas.
A mostra fotográfica apresenta 12 das 30 imagens do livro e tem projeto expográfico da curadora e produtora em artes visuais Clara Sampaio.
Imagem divulgação
Obra de Bruna Bolonha conta com o patrocínio da Lei Rubem Braga
Visitas
Para desejar marcar visitas de grupos e escolas, basta fazer o agendamento pelo e-mail artificialidade@gmail.com .
Lei Rubem Braga
O livro "Artificialidade" conta com o patrocínio da Lei Rubem Braga, instrumento de política cultural criado pela Secretaria Municipal de Cultura (Semc) com o objetivo de incentivar a produção cultural em Vitória.
Bruna acredita que a lei de incentivo é importante tanto para viabilizar quanto para ampliar a produção cultural da cidade. "O apoio para concretização do projeto do artista contemplado pelo incentivo cultural permite que outros artistas e atores ligados à arte e à cultura possam também desenvolver trabalhos, gerando, além de um crescimento sociocultural, um crescimento econômico".
Serviço
Exposição e lançamento do livro “Artificialidade”
Abertura: terça-feira (8), às 19 horas. Visitação: de 8 de março a 16 de abril. Terça a sexta, das 12 às 19 horas, e aos sábados, das 10 às 14 horas.
Local: Casa Porto das Artes Plásticas - Praça Manoel Silvino Monjardim, 66, Centro Aberto ao público
*Parte dos livros será distribuída gratuitamente na abertura da exposição.