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Escola da Vida: projeto estimula criatividade de população de rua com reciclável
Publicada em
Por Paula M. Bourguignon, com edição de Matheus Thebaldi
Um novo olhar para o futuro e construção de uma nova história. O projeto "Colab Boomerangue”, desenvolvido pela Escola da Vida, em São Pedro, retoma o protagonismo e a autonomia de pessoas em situação de rua.
Com o projeto, os assistidos estão tendo a oportunidade de aprimorar suas criatividades e aprender a produzir cadernetas, scrapbooks, agendas, porta-retratos, molduras e blocos de notas. Todos os produtos são feitos com materiais recicláveis, como retalhos de tecidos, caixão de papelão, cordas, caixa de leite e linhas.
Adenilton José Roseno, 43, viveu nas ruas. Por conta de uma trombose na perna esquerda, com muitas dores e inchaço, ele decidiu procurar e aceitar ajuda dos profissionais da rede socioassistencial.
"Busquei primeiramente suporte no Abrigo Noturno, pois eu precisava traçar metas do que eu queria para minha vida. Senti que estava morrendo aos poucos. Se eu ficasse naquela situação, não iria durar muito. Eu vivia num inferno astral e tinha uma rotina triste", contou o assistido, que decidiu aceitar ajuda há um ano.
"Percebi que precisava de ajuda. Nesse período, passei por várias reflexões, aceitei a ajuda dos profissionais do Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População de Rua (Centro Pop) e concluí meu ensino fundamental na Educação para Jovens e Adultos (EJA). Hoje faço o ensino médio paralelo ao curso de Metalurgia no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Também faço as oficinas que a Escola da Vida oferece, pois quero ocupar minha mente. Na Escola da Vida encontrei um novo estímulo. Passei a acreditar em mim e nos meus sonhos".
Renda extra
Jocimara da Conceição Genésio, 43, já trabalhava com materiais recicláveis e aprovou a iniciativa. "Estou achando o máximo. Já mexia com reciclagem de latinha, cobre e panos. Estou aprendendo a trabalhar com molduras, carteira e fazer os moldes. Via isso tudo na televisão e achei muito bacana. Eu, meu namorado e uma amiga estamos pensando em expor na Festa da Penha e conseguir tirar uma grana".
Futuro
"Ainda estou como pessoa em situação de rua. Mas sei que isso é passageiro. Frequento o Centro Pop, mas logo vou sair. No meu futuro, quero conquistar meu emprego, depois ter minha casa e voltar a ter convívio social. Está sendo muito gratificante essa oportunidade na Escola da Vida. Já fiz curso aqui de Estética Facial e Confeitaria, e estou aprendendo a lidar com o ser humano e com as diferenças da vida", disse Ana Claúdia Evangelista, 42.
Sustentabilidade
"A ideia é que os assistidos possam aprender a técnica e que eles possam desenvolver isso nos espaços de ociosidade. Alguns deles já vêm produzindo esses materiais fora do espaço da Escola da Vida. A ideia é que cada vez mais eles encarem aqui como espaço e formação profissional. Queremos fomentar uma nova visão: uma visão empreendedora. A atividade também oferece um novo olhar sobre os resídios, o da sustentabilidade", explicou o instrutor Diego Cavaleiro Andante.