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Carnaval: Rosas de Ouro abre o segundo dia no Sambão do Povo e contagia o público

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Por Michelle Moretti (msmorettieira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Matheus Thebaldi


Marcos Salles
Rosas de Ouro
Marcos Salles
Rosas de Ouro

O Sambão do Povo virou correnteza de história, canto e pertencimento na segunda noite do Carnaval 2026. Abrindo o segundo dia de desfiles, neste sábado (7), a Rosas de Ouro levou à avenida o enredo Cricaré das origens - O Brasil que nasce em São Mateus e transformou o Rio Cricaré em personagem central de uma narrativa potente, marcada por memória, resistência e identidade cultural.

Desde a comissão de frente até o último carro alegórico, o desfile conduziu o público por uma travessia simbólica pelas origens do norte capixaba. A história de São Mateus foi contada em imagens, cores e sons que exaltaram os povos indígenas, a presença africana, a fé, o trabalho e as lutas que moldaram a cidade ao longo dos séculos, emocionando quem desfilava e quem acompanhava da arquibancada.

Além do enredo forte e da leitura histórica precisa, a Rosas de Ouro reafirmou seu protagonismo ao manter um marco importante do carnaval capixaba: o pioneirismo de ser a única escola a contar com uma intérprete mulher à frente do carro de som. A presença feminina no comando do samba reforçou o compromisso da agremiação com a representatividade, a diversidade e a evolução do samba, dando ainda mais potência à obra apresentada na avenida.

Leonardo Silveira
Rosas de Ouro
Marcos Salles
Rosas de Ouro

"Desfilar hoje foi como contar a história dos meus antepassados com o corpo inteiro", afirmou Ana Paula Nogueira, 34 anos, componente da escola. "A gente não veio só sambar, veio lembrar que esse rio é origem, é luta e é vida. Quando a bateria entrou, eu chorei."

Para João Victor Almeida, 27 anos, a experiência na avenida foi marcada pelo peso simbólico do enredo. "Representar essa história é muito maior do que um desfile. É justiça histórica. É dizer que São Mateus também é Brasil profundo, resistente, que não se apaga."

A emoção se espalhou pelas arquibancadas do Sambão do Povo. A professora Luciana Ribeiro, 42 anos, acompanhou o desfile atenta, celular abaixado, visivelmente emocionada. "Foi um desfile que não passou correndo. Ele ficou. Cada parte fazia sentido, cada verso do samba conversava com o que estava sendo mostrado. Saio daqui com vontade de conhecer ainda mais São Mateus."

Já o comerciante Carlos Henrique Souto, 51 anos, destacou a importância do Carnaval para além do espetáculo. "Pra gente que trabalha com comércio, esse movimento faz toda a diferença. São dias que ajudam a fechar o mês, a complementar a renda da família. Enquanto a escola conta a história na avenida, a cidade inteira gira junto. É gente vendendo, trabalhando, acreditando."

Com um desfile que uniu beleza plástica, força narrativa e emoção coletiva, a Rosas de Ouro abriu o segundo dia de apresentações reafirmando o carnaval como espaço de história viva, celebração cultural e também de trabalho e renda. Uma estreia que fez o Sambão pulsar no ritmo do Cricaré e deixou o público com a certeza de que a avenida também é lugar de memória e pertencimento.

Marcos Salles
Rosas de Ouro
Marcos Salles
Rosas de Ouro