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Carnaval 2026: Mocidade serrana aposta no afeto e no cuidado como eixo de seu enredo

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Por Julya Feitoza (jfcarvalhoeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de SEGOV/SUB-COM


Leo Silveira
Carnaval: Mocidade Serrana

A Escola de Samba Mocidade Serrana reafirma sua trajetória de resistência e reconstrução no Carnaval capixaba ao apresentar, para 2026, um enredo que dialoga diretamente com valores humanos fundamentais. Fundada em 1980, no bairro José de Anchieta, no município da Serra, a agremiação carrega as cores amarelo e roxo e tem como símbolo a fênix, imagem que representa renascimento, força e continuidade, características que marcam a própria história da escola.

A Mocidade Serrana desfilou regularmente no Carnaval de Vitória até 1992, quando os desfiles das escolas de samba capixabas sofreram uma paralisação de cinco anos. Com o retorno das agremiações em 1998, a escola permaneceu afastada da avenida, retomando sua mobilização apenas em 2013, quando integrantes e apoiadores iniciaram o processo de reestruturação da agremiação e passaram a pleitear filiação à Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses), entidade responsável pela organização oficial dos desfiles.

Ao longo de sua trajetória, a Mocidade Serrana desenvolveu enredos variados, incluindo homenagens a figuras e símbolos do carnaval, sempre mantendo o compromisso com temáticas que dialogam com identidade, cultura e pertencimento. Para o Carnaval de 2026, sob a presidência de Marcelinho Simplicidade e com enredo desenvolvido pelo carnavalesco Edmilson Galdino, a escola apresenta o tema "Colo - Criação, Cuidado e Afeto".

A proposta parte de uma reflexão sensível e profunda sobre o colo como primeiro espaço de existência humana. Antes da palavra e da consciência social, é no colo que se aprende o significado de proteção, pertencimento e continuidade da vida. A Mocidade Serrana utiliza essa imagem ancestral como fio condutor para discutir a criação da vida, o cuidado como prática coletiva e o afeto como força estruturante das relações humanas.

O enredo dialoga com saberes ancestrais e cosmologias afro-brasileiras e indígenas, reconhecendo o cuidado como princípio civilizatório e o afeto como linguagem universal. A narrativa amplia o conceito de criação para além do nascimento biológico, abordando o ato de nutrir, orientar, proteger e garantir a continuidade da vida em suas múltiplas formas. Nesse contexto, cuidar assume um caráter político e social, especialmente em uma sociedade marcada por desigualdades, intolerâncias e fragilização dos vínculos afetivos.

Ao levar esse tema para a avenida, a Mocidade Serrana propõe um desfile que transforma o Carnaval em espaço de escuta, acolhimento e reconstrução simbólica. O espetáculo se apresenta como um grande colo coletivo, onde memórias, identidades e afetos se encontram, reafirmando o samba como expressão cultural capaz de promover empatia, respeito e dignidade humana.

Sinopse

Do ventre o poder da criação.

É ancestral esse gesto profundo

 O colo ilumina o coração

Desde o início do mundo

Me embala em teus braços

Oh mãe natureza!

Meu porto seguro de rara beleza

 Cuidar, é a semente da revolução

É luta sem armas, coragem e Proteção

Um lindo poema ecoa no ar

Singela linguagem de amar

 

Ora yeyeo mamãe oxum

No seu axé eu quero me embalar

 É o fim da tristeza, o amor divinal

Renasce das cinzas o meu carnaval.

Floresce a fraternidade

A luz da humildade

No aconchego da alegria

A manifestação mais pura

O abrigo da ternura

 Berço da sabedoria

Criança esperança

É no meu peito o teu doce lar

 Em uma nova era

A humanidade espera

Um colo de paz pra sonhar

 

Batuque de bamba, serrana é paixão

 Criar e cuidar é a nossa missão

Terreiro de bamba, refúgio da vida

Me embala em teu colo

Mocidade Querida!