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Carnaval 2026: Independente de São Torquato leva o poder das ervas para a passarela
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Por Julya Feitoza (jfcarvalhoeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de SEGOV/SUB-COM
Localizada no tradicional bairro de São Torquato, em Vila Velha, a Grêmio Recreativo Escola de Samba Independentes de São Torquato destaca-se como uma das mais relevantes agremiações carnavalescas do Espírito Santo. Com cinco títulos conquistados, a escola teve sua origem no bloco Caveira, fundado nos primeiros anos da década de 1950. O nome atual foi adotado em 1974, após a vitória nos concursos oficiais de blocos em Vitória e Vila Velha, quando o bloco se transformou-se em escola de samba.
Ao longo de sua trajetória, a São Torquato brilhou nos desfiles, deixando uma marca indelével na história do Carnaval capixaba. Em sua estreia em 1975, a escola conquistou o quarto lugar com o enredo "Exaltação a Pedro Nolasco", uma homenagem ao grande idealizador da Estrada de Ferro Vitória Minas. O desfile de 1976, intitulado "Folclore e Capixabas", rendeu à escola a sexta posição.
Nos anos seguintes, a São Torquato apresentou enredos como "Samba, Sinfonia de uma Raça" (1977) e "Pernambuco, Do Frevo ao Maracatu" (1978), ambos alcançando o quinto lugar. Em 1979, a escola conquistou o vice-campeonato com "Exaltação aos Signos do Zodíaco", seguido por um quarto lugar no ano seguinte, com o enredo "Mitos e Lendas da Amazônia".
O ano de 1981 marcou o primeiro título da São Torquato, com o enredo "Festas e Folguedos Populares do Brasil", dividindo a conquista com a Escola de Samba Mocidade da Praia. A ascensão continuou nos anos seguintes, com bicampeonato em 1982 e tricampeonato em 1983, respectivamente, abordando temas como "Liberdade, Liberdade Brasil" e "Brasil, Terra da Gente". Em 1984 e 1985, a São Torquato alcançou o terceiro lugar com os enredos "Avenida 1984" e "As Sete Forças", este último desfilando na Avenida Princesa Isabel, no centro de Vitória. Em 1986, o desfile foi transferido para a Reta da Penha, e a escola apresentou o enredo "Péricles ao Tempo Místico e Encantado do Bruxo do Samba", uma homenagem ao carnavalesco Joãozinho 30, conquistando a quarta colocação.
O ano de 1987 marcou a mudança do desfile para o Sambão do Povo, local especialmente construído para esse fim. A São Torquato homenageou Chico Buarque com o enredo "Ode Palaciana aos Olhos Azuis do Poeta", conquistando novamente o quarto lugar. Em 1992, o Grupo 1 foi dividido, criando o Grupo Especial com as sete primeiras colocadas do ano anterior. A São Torquato sagrou-se bicampeã em 1992, apresentando o enredo "A Hora e a Vez na Terra do Descaso".
Contudo, em 1993, as escolas decidiram não realizar o desfile em protesto contra a falta de apoio do poder público, resultando em uma paralisação de cinco anos nos desfiles carnavalescos capixabas. Em 1998, algumas escolas retornaram com um desfile não competitivo na Avenida Jerônimo Monteiro, no centro de Vitória, devido às condições precárias do Sambão do Povo. A São Torquato, no entanto, optou por desfilar apenas quando o Sambão do Povo retornasse, o que aconteceu em 2002.
Entretanto, somente em 2005, a São Torquato voltou a desfilar com o enredo "Respeitável Público, Sua Majestade o GRESIST no Carnaval", realizando uma bela apresentação, mas sendo designada para o Grupo 2 em 2006 devido ao longo afastamento. A São Torquato destaca-se como uma escola de destaque, pioneira na introdução do luxo nos desfiles capixabas e na utilização de grandes carros alegóricos. Recebeu importantes troféus e premiações ao longo de sua história, destacando-se nas edições de 1988 e 1990 da premiação como a melhor escola de samba e pelo melhor samba-enredo.
O bloco do Caveira, ponto de origem da Independente de São Torquato, contou com figuras notáveis como Alcione, Loca, Almir, João Guela, Alcir Stein, Alvimar, Teófilo Laranjeiras, Erildo Malaguena, Helvécio, Viadinho, Zé de Anália, Percy, Mazinho, Naná, entre outros. A proposta do enredo está fundamentada no orixá africano Ossain reis das matas sagradas, protetor e guardião dos segredos das folhas que curam. A partir da estória dessa divindade estaremos enveredando mata a dentro falando do uso das folhas pelos pajés, caboclos e benzedeiras no preparo para diversos usos como banhos, xaropes, unguentos e entre outras utilidades.
Do conhecimento indígena ao uso das folhas em seus rituais, as lendas que corre mata a dentro, a chegada dos negros que com seus conhecimentos medicinais e espirituais difundem a cultura do orixá Ossain em seus rituais de louvação. Dos pretos e pretas velhas da senzala ao povo ribeirinho todo saber e difundido através dos tempos tendo hoje despertado todo interesse da medicina em pesquisas para melhor aproveitamento das ervas, raízes.
Falar da importância do poder curativo das ervas baseando se da lenda do Orixá Ossaim.Seu uso em preparos de chás, unguentos e elixir para cura de diversas mazelas, seu uso através de conhecimentos indígenas e negros que com suas rezas e patuás benzem nossos corpos purificando e afastando doenças e maus espíritos. Contar a importância dos povos ribeirinhos que fazem e comercializam suas garrafadas em suas barracas nas beiras de estradas desse brasil e nas feiras e no final falar sobre a necessidade de preservação de nossas mata contra homens gananciosos que querem destruir, queimar visando lucros próprios.
Sinopse
KÓ SÍ EWÉ, KÓ SÍ ÒRÌSÀ
DA FLORESTA EMANA O DOM DE CURAR
A SÃO TORQUATO FAZ A REZA PRA VENCER
E O SAMBÃO VIRAR UM ILÊ
OSSAIN... SENHOR DAS ERVAS SAGRADAS
OSSAIN... A CANDURA QUE O MISTÉRIO GUARDA
EWÉ, NA SOMBRA DA MATA REFLETE UM CLARÃO
NO VERDE SAGRADO A CURA, A MISSÃO
TEU FUNDAMENTO É PROTEÇÃO
O TOQUE DO AWÔ VAI ECOAR
PRA DANÇA DO MEU ORIXÁ
DO BANHO DE FOLHAS À PURIFICAÇÃO
CHÁ DE ESPERANÇA PRA DOR DA FERIDA
BATEU O CAJADO PAJÉ, TREMEU O CHÃO
AGUÉ SUSSURRA PRA VIDA
AXÉ QUE RELUZ NO PODER DO ORUN
VENTO ENCANTADO YORUBÁ
NO RESSOAR DO TOQUE DO BRAVUM
AO GRANDE GUARDIÃO DO LUGAR
DO POVO NAGÔ, A SABEDORIA
PRETOS DA SENZALA, A LUZ DA VISÃO
CABOCLOS PLANTARAM VITÓRIA E ALEGRIA
HOJE CLAMAMOS POR PRESERVAÇÃO
