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Santo Antônio terá arte em chão de praça que poderá ser vista do céu

Publicada em 15/12/2020, às 15h20 | Atualizada em 15/12/2020, às 15h22

Por Ricardo Aiolfi, com edição de Matheus Thebaldi


  • Redução das desigualdades
  • Paz, justiça e instituições eficazes

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Projeto A Arte é Nossa na Prainha de Santo Antônio
Piso da praça da Prainha ganha cores e formas do rio Santa Maria (ampliar)

Num passeio pela praça da Prainha de Santo Antônio, já é possível notar as cores e formas que tomam conta do chão. Do alto, com a moldura do rio Santa Maria, a obra de arte do projeto "A Arte é Nossa" toma corpo e revela a pintura de crianças brincando ao lado das águas, agora pintadas também no piso da praça.

A pintura começou a ser feita no último dia 7, por meio do projeto "A Arte é Nossa", da Secretaria Municipal de Cultura (Semc).

A obra "Entre Deus e eu, o céu", do artista Diego Mouro, de São Paulo, produzida por Jamile Luppi, traz de volta a lembrança de quando, ali em Santo Antônio, funcionou o primeiro aeroporto capixaba: o Cais do Hidroavião.

O curto período de funcionamento do aeroporto, cerca de 10 anos, ficou marcado na memória da comunidade e também na dos turistas, que tinham sua primeira visão do Espírito Santo ao pousar no local.

A previsão é de que a obra seja entregue até 20 de dezembro e ganhe ainda um vídeo com audiodescrição sobre o processo de concepção e pintura, com acesso por meio de QR Code, disponibilizado no local.

"Criar artes para que sejam vistas de cima é recriar, de alguma maneira, essa sensação nostálgica de boas-vindas, o abraço acolhedor do anfitrião, a beleza no olhar do primeiro contato, as maravilhas vindas do céu. A ideia é criar artes que envolvam a relação da comunidade com o rio Santa Maria e com a época em que as crianças ali se encantavam com os belos 'pássaros gigantes' e com a beleza que vinha do céu", explicou a produtora Jamile Luppi.

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Projeto A Arte é Nossa na Prainha de Santo Antônio
Obra recebeu o nome "Entre Deus e eu, o céu" e deve ficar pronta nos próximos dias (ampliar)

"Nova praia"

Jamile ressalta ainda que esse trabalho ainda tenta, de alguma forma, simular uma nova praia para os moradores, fazendo com que, a partir da pintura, as águas tranquilas do rio Santa Maria invadam a praça.

O trabalho faz parte de uma pesquisa poética do artista, que busca em seus trabalhos retratar comunidades ribeirinhas e povos tradicionais.

Diego Mouro

Artista autodidata e muralista, que vive e trabalha em São Paulo, oriundo da periferia de São Bernardo, ABC Paulista

Seus trabalhos perpassam as questões raciais de dor e promovem o encontro de elementos e símbolos tradicionais da cultura negra e sua relação com o Brasil, buscando, assim, entender como nosso regionalismo foi construído em cima de hábitos africanos e de que forma foram transformados em costumes e crenças que só existem aqui, como o congado e o candomblé.

Com técnicas e influências que vão da arte tradicional à arte de rua, passando pela pintura contemporânea, reflete o completo estado de impermanência do ser e das coisas enquanto ele mistura realismo e traços inacabados. Seus trabalhos respeitam a tradição do muralismo e constroem uma narrativa não verbal, compartilhando conhecimento e sendo parte de processos formativos na construção de uma nova narrativa histórica da arte e das culturas tradicionais.

A Arte é Nossa

O projeto realiza intervenções urbanas em espaços públicos da capital e utiliza suportes diversos para imprimir a sua marca, que é popularizar a arte urbana, além de colorir o dia a dia dos moradores. Para isso, os muros da cidade ganham obras realizadas em diversas técnicas, como grafite, arte-mural e arte-relevo.

"Para além de transformar a cidade numa galeria de arte a céu aberto e colocar em destaque os artistas que atuam em Vitória, ter um artista de outro estado contando a história do nosso lugar em sua arte é um ponto importante para o intercâmbio artístico e para a inserção de Vitória no cenário de capitais pelo mundo que desenvolvem trabalhos desse porte", explicou a coordenadora do projeto "A Arte é Nossa", Fernanda Bellumat.


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