A Pedra da Cebola foi o cenário escolhido pela equipe do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) Continental para uma roda de conversa com as mulheres assistidas pelo serviço. O encontro pautou o feminicídio e o crime de violência de gênero, que impacta diretamente a estrutura social e figura como um dos principais fatores para o rompimento de vínculos familiares e a consequente busca por refúgio nas ruas.
No centro do debate, foram expostas as cinco formas de violência doméstica e familiar previstas na Lei Maria da Penha: física, psicológica, moral, patrimonial e sexual. A ação foi conduzida pelo psicólogo, Wilhian Gomes, e pela assistente social, Elis Geovana, com o suporte do assessor jurídico, Carlos Eduardo, e sob a supervisão da coordenadora, Elisabeth Bretas.
A coordenadora explicou que, em um espaço seguro de escuta qualificada, as participantes compartilharam relatos sobre as violações que já vivenciaram. "O debate trouxe um alerta importante: as mulheres em situação de rua sofrem com ameaças constantes e dupla vulnerabilidade, o que torna o suporte institucional e o acesso à rede de proteção ainda mais vitais", comentou ela. Elisabeth descreveu o momento como um ambiente acolhedor, focado no suporte mútuo.
A coordenadora geral dos Centros Pop, Fernanda Ferreira, ressaltou que a iniciativa integra o planejamento de ações organizadas pelos dois equipamentos de Vitória voltados ao atendimento diário desse público. Ela pontuou que as equipes aproveitam todas as oportunidades para descentralizar essa temática em diferentes espaços e momentos, consolidando uma estratégia contínua de proteção social.
Para a gerente de Proteção Social Especial de Média Complexidade, Fabíola Calazans, o debate sobre o feminicídio nos Centros Pop assegura o direito à informação e à defesa de um grupo historicamente invisibilizado pela sociedade. Fabíola destacou que instrumentalizar essas mulheres para que identifiquem os ciclos de abuso é o primeiro passo para garantir a integridade física e o acesso à justiça de forma plena e sem discriminação.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, enfatizou o papel dos Centros Pop na execução de políticas públicas transversais para a população de rua. Ela frisou que a assistência social isolada não consegue suprir todas as demandas de quem vivencia a vulnerabilidade extrema, reforçando, por meio de um provérbio africano, que é necessária uma aldeia inteira para garantir a efetivação dos direitos sociais.