A diferença de preços entre estabelecimentos que comercializam alimentos e outros ietns de primeira necessidade da capital pode ultrapassar 160% para um mesmo produto. É o que revela a pesquisa realizada neste mês fevereiro pelo Procon Municipal de Vitória, que analisou 65 itens de primeira necessidade em nove supermercados da cidade.
Uma alta variação percentual (167%) foi identificada no preço de frutas, que são a base para uma boa nutrição, como a banana-prata e a laranja, ambas oscilando de R$ 2,99 a R$ 7,99, dependendo do local da compra. Já a dupla mais pupular e muito nutritiva que compõe o tradicional prato brasileiro, o arroz e o feijão, apresentaram variação de 47,2% e 88,8%, respectivamente.
Os números reforçam a importância de pesquisar antes de colocar os produtos no carrinho, já que, em alguns casos, o consumidor pode pagar mais que o dobro pelo mesmo item.
O secretário municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, Luciano Forrechi, destaca que a pesquisa é uma ferramenta de orientação e cidadania. "Nosso objetivo é garantir transparência e oferecer informação de qualidade para que o morador de Vitória possa tomar decisões mais conscientes. A diferença de preços mostra que pesquisar é essencial para proteger o orçamento da família", afirma.
Na comparação entre janeiro e fevereiro deste ano, o item que mais pressionou o bolso foi a cartela de ovos (30 unidades). O menor preço saltou de R$ 9,90 para R$ 14,99, um aumento de 51% em apenas um mês.
Quando a comparação é feita com fevereiro do ano passado, o tomate aparece como destaque de alta. O menor preço subiu 60%, saindo de R$ 4,49, em fevereiro de 2025, para R$ 7,20 em fevereiro de 2026.
Série histórica
A análise da série histórica também aponta continuidade no movimento de redução de preços em itens importantes da mesa do consumidor. O arroz, por exemplo, iniciou 2025 custando R$ 23,98, encerrou o ano a R$ 15,29 e, em fevereiro deste ano, chegou a R$ 13,59.
Com o salário-mínimo vigente de R$ 1.621,00, os produtos de Itens de Primeira Necessidade comprometeram 42,31% (R$ 685,87) da renda do trabalhador em fevereiro de 2026. No caso da Cesta Básica, composta por 13 itens, o comprometimento foi de 41,36% (R$ 670,48). Em janeiro, esses percentuais eram ligeiramente menores, o que demonstra aumento no peso das despesas no último mês.
Atenção constante
Para o gerente do Procon Municipal de Vitória, Breno Panetto Morais, o cenário exige atenção constante. "Apesar da melhora observada em alguns itens ao longo da série histórica, ainda há produtos com grande volatilidade, especialmente proteínas e hortifrúti. O consumidor deve acompanhar as variações e, sempre que possível, substituir itens que estejam em alta por alternativas mais econômicas", orienta.
Pesquisar sempre
O levantamento mostra que, embora o cenário econômico nacional indique desaceleração da inflação, a variação entre estabelecimentos continua sendo um fator determinante para o orçamento doméstico. A principal recomendação do Procon é sempre: pesquisar preços, planejar as compras e comparar valores pode representar uma economia significativa no fim do mês.