O ritmo da festa junllina deu o tom na manhã da última sexta-feira no Centro de Referência para População em Situação de Rua (Centro Pop Centro. O clima de descontração, alegria e emoção dominou os participantes das atividades no local, conforme descreveu Carlos Eduardo Rodrigues, de 25 anos.
Ele contou que esse período de festas juninas o encanta desde a infância. "Tenho boas lembranças dessa época", disse. Antes mesmo de ser perguntado, Carlos contou que a infância em Jaguaré, na região norte do estado, o faz refletir sobre o passado e o motiva a pensar em um futuro diferente. "Esses momentos no Centro Pop me fazem muito bem. Aqui eu pratico esportes e tenho a oportunidade de mexer com a terra na organização de uma horta, cujos produtos serão usados na própria cozinha do local", comentou.
Uma das mais animadas do evento era Duda. Autodeclarada eclética em seus gostos musicais e performances, Duda disse que estar no espaço acolhedor a faz se sentir uma rainha. "Aqui sou bem tratada e me sinto feliz", afirmou.
Para Maria Eugênia, participar dos festejos traz boas memórias e representa um momento para celebrar as vitórias da vida. "Nas ruas ninguém enxerga minhas lutas nem minhas vitórias", desabafou. Ao ser questionada sobre quais seriam esses momentos, ela declarou imediatamente que venceu dois cânceres e encontrou apoio na unidade.
"O Centro Pop me abraçou. Entrar aqui me faz esquecer os problemas e focar só nas minhas vitórias. Lá fora sou invisível, mas aqui tenho valor, sou vista e sou cuidada. Esta festa é um momento de visibilidade e de destaque", falou, exibindo a roupa escolhida pela amiga Aline.
Para a supervisora do Centro Pop, Bruna Piovezan Salvador, a promoção dessas atividades culturais vai além do entretenimento, pois fortalece os vínculos comunitários e garante que essas pessoas ocupem espaços de lazer que também são de direito delas.
A gerente de Proteção Social Especial de Média Complexidade da Secretaria de Assistencia Social de Vitória (Semas), Fabíola Calazans, destacou que o evento reflete o compromisso da gestão em oferecer um acompanhamento humanizado, transformando o equipamento público em um espaço de recomeço, desenvolvimento da sensação de pertencimento da cidade e suporte para a superação das vulnerabilidades.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, finalizou explicando que assegurar o acesso à cultura e à convivência comunitária é parte essencial das políticas públicas do município, funcionando como uma ferramenta para devolver o protagonismo a quem mais precisa.