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Exposição em Vitória revela a força dos manguezais pela arte
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Por Michelle Moretti (msmorettieira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Julia de Almeida
A vida nos manguezais de Vitória ganhou novas cores, formas e olhares no Museu do Pescador, na Ilha das Caieiras. Durante o Mês do Meio Ambiente, a exposição "Projeto Mangueando na Educação: Manguezal Múltiplos Olhares" apresenta ao público 32 aquarelas e ilustrações do artista Rogério Dalmonech, produzidas a partir de uma experiência imersiva a bordo de um barco pesqueiro local.
Mais do que uma mostra artística, a exposição propõe uma reflexão sobre a importância dos manguezais para a cidade, para a biodiversidade marinha e para as comunidades que vivem em conexão direta com esse ecossistema. A iniciativa transforma o Museu do Pescador em espaço de encontro entre arte, memória, educação ambiental e pertencimento.
Arte que nasce das águas e das raízes do mangue
O diferencial da exposição está na origem das obras. As aquarelas nasceram da observação direta do artista durante uma vivência no cotidiano das águas, dos pescadores, da fauna, da flora e das paisagens que formam o manguezal.
Nas telas, o mangue deixa de ser apenas cenário e passa a ocupar o centro da narrativa. Peixes, aves, raízes, embarcações, reflexos, luzes e movimentos são representados com sensibilidade, revelando a complexidade e a beleza de um ambiente muitas vezes visto de forma superficial.
Com técnicas de transparência, sobreposição de cores e delicadeza nos traços, Rogério Dalmonech traduz em imagens a relação entre natureza, cultura pesqueira e identidade capixaba.
Para a gerente de educação ambiental, Juliana Sardinha, cada pincelada traduz a harmonia entre a comunidade, a atividade pesqueira e a natureza exuberante que nos cerca.
Manguezal é berçário natural e proteção para a cidade
A exposição também cumpre um papel educativo. Ao apresentar o manguezal como um verdadeiro berçário natural, a mostra ajuda o público a compreender que esse ecossistema é essencial para a reprodução, alimentação e abrigo de inúmeras espécies.
O mangue tem impacto direto na vida da população. Ele contribui para a manutenção da biodiversidade, fortalece a pesca artesanal, protege áreas costeiras, ajuda no equilíbrio ambiental e integra a história de comunidades tradicionais, como a Ilha das Caieiras.
Por isso, preservar o manguezal não é apenas uma pauta ambiental. É uma questão ligada à cultura, à economia local, à segurança climática, à educação e à qualidade de vida.
Educação ambiental pelo afeto e pelo pertencimento
Ao unir arte e educação, a exposição busca aproximar crianças, jovens e adultos do território onde vivem. A proposta é despertar o sentimento de pertencimento, fazendo com que a população reconheça o manguezal não apenas como uma paisagem, mas como um patrimônio vivo da cidade.
Esse olhar é especialmente importante para as novas gerações. Quando crianças e adolescentes compreendem a importância do mangue para a vida marinha, para os pescadores e para a própria cidade, a preservação deixa de ser um conceito distante e passa a fazer parte da realidade cotidiana.
A mostra reforça que a educação ambiental se torna mais potente quando parte da experiência sensível. A arte, nesse contexto, funciona como ponte entre conhecimento, emoção e responsabilidade coletiva.
Ilha das Caieiras como território de memória e identidade
A escolha do Museu do Pescador, na Ilha das Caieiras, fortalece ainda mais o significado da exposição. O local guarda uma relação histórica com a pesca, com a cultura tradicional e com o modo de vida de famílias que construíram sua trajetória em diálogo permanente com o manguezal.
Ao ocupar esse espaço, a mostra valoriza o território e amplia a visibilidade de um patrimônio ambiental e cultural que faz parte da identidade de Vitória.
Durante o Mês do Meio Ambiente, a exposição convida moradores, estudantes, educadores, famílias e visitantes a olharem para o mangue com mais atenção. O que está em jogo não é apenas a preservação de uma área verde, mas a proteção de um sistema vivo que sustenta espécies, histórias, saberes e modos de vida.
Cultura ambiental para além do mês de junho
A exposição "Manguezal Múltiplos Olhares" deixa uma mensagem objetiva: proteger o manguezal é proteger a vida que nasce, cresce e se renova nas águas da cidade.
Ao transformar a riqueza ambiental de Vitória em arte, a mostra amplia o alcance da educação ambiental e reforça que a conservação depende também de vínculo, memória e reconhecimento.
No fim, o convite é simples e necessário: olhar para o mangue não como fundo de paisagem, mas como parte essencial da cidade -- um território de vida, cultura e futuro.
Serviço
Exposição: Projeto Mangueando na Educação - Manguezal Múltiplos Olhares
Período: Mês de Junho
Local: Museu do Pescador
Visitação: Terça a sexta-feira, das 8h às 17h. Sábados e domingos: das 12h às 16h
Endereço: Rua Felicidade Correia dos Santos, 1095, Ilha das Caieiras