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Centro de Convivência Solon Borges transforma salas em espaços de sensibilização contra violências
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Por Rosa Blackman (rosa.adrianaeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Julia de Almeida
A rede intersetorial de serviços que atua no território socioassistencial da região Continental promoveu atividades, intervenções reflexivas e apresentações culturais no Centro de Convivência Solon Borges, com o propósito de sensibilizar a sociedade sobre as consequências e os riscos da violência sexual contra crianças e adolescentes, além de incentivar o engajamento no combate a esse tipo de crime. O espaço recebeu munícipes atendidos pelos serviços, além de famílias e moradores da região.
Um painel produzido com a técnica de xilogravura coloriu uma das salas com gérberas amarelas e laranja, contrastando com a parede preta ilustrada com o rosto da menina Araceli Crespo, vítima de um brutal assassinato ocorrido em 18 de maio de 1973. A comoção gerada pelo caso motivou a sociedade civil e o Congresso Nacional a instituírem, por meio da Lei Federal nº 9.970/2000, o dia 18 de maio como a data oficial de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Na sala, montada pelo educador social, Diego dos Santos, com participação das crianças e adolescentes responsáveis pelas xilogravuras, os visitantes eram convidados a demonstrar apoio desenhando flores ao redor do rosto de Araceli. Foi o que fez Maria de Araújo, de 81 anos, integrante do grupo de pessoas idosas do Centro de Convivência de Maria Ortiz.
Segundo ela, a atividade é de extrema importância. "Essa atividade é muito importante e nós precisamos proteger nossas crianças e adolescentes", afirmou.
Já Daniela de Souza Araújo, mãe de Sofia, de 9 anos, Gabriela, de 4, e Pietro, de 3, destacou que o tema precisa ser debatido diariamente dentro de casa.
"Como mãe, a gente fica triste em ter que falar sobre isso. Mas eu converso muito. Na minha casa, sempre comentamos sobre o assunto. A mãe que se cala diante disso é pior. Não podemos ficar caladas", defendeu.
Daniela relatou ainda que a participação da filha mais velha nas atividades facilitou o diálogo familiar.
"Antes, ela ficava muito calada, mais fechada. Agora está mais falante, e isso facilita o nosso diálogo", comentou.
Se o tema já é delicado e doloroso para adultos, é fácil imaginar o impacto sobre as crianças. Aruna, de 9 anos, permaneceu por alguns instantes diante de uma impressora cenográfica, confeccionada em cartolina, que exibia reproduções de notícias antigas sobre o caso Araceli, além de mensagens manuscritas com desejos de notícias mais acolhedoras para a infância.
Concentrada nas reportagens, Aruna apenas se virou para dizer: "É assustador. Fico muito triste com essa notícia", antes de deixar a sala sem querer interagir mais, atitude que foi respeitada pela equipe.
Outro espaço que provocou forte sensibilização foi a "Trilha Reflexiva". Durante o percurso, as educadoras sociais Kevelyn Pissarra, como guia, e Hana Figueredo, como narradora, conduziam os participantes por reflexões sobre o que deveria significar viver a infância, destacando como esse período da vida é interrompido pela violência quando faltam proteção e cuidado.
A coordenadora do Centro de Convivência Solon Borges, Ana Carla Martins, explicou que a proposta foi proporcionar à comunidade uma experiência capaz de gerar maior impacto emocional e conscientização.
"A gente distribuía folhetos, mas sentia que as pessoas não se sensibilizavam. Hoje conseguimos vê-las indignadas, revoltadas. Acho que alcançamos nosso objetivo de sensibilização, alerta e incentivo à denúncia", comentou.
Ana Carla também ressaltou a importância da atuação da rede intersetorial para ampliar o engajamento e a participação dos moradores do território. A rede Continental é composta por serviços vinculados à Secretaria Municipal de Assistência Social, como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Bento Ferreira; o Centro de Convivência Solon Borges para Crianças e Adolescentes; os Centros de Convivência para Pessoas Idosas de Maria Ortiz e Jardim da Penha; o Abrigo Institucional para Pessoa em Situação de Rua (Abrigo 2), em Jardim Camburi; e o Acessuas Trabalho, além de instituições parceiras como a AMAES, Rede ABBA e Associação Batista de Educação e Ação Social (ABEAS).
A gerente de Serviços de Convivência, Cristina Silva, ressaltou o principal objetivo da ação.
"Promover a proteção integral e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, mostrando que toda a sociedade deve ser um escudo para as nossas crianças e adolescentes", destacou.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, também enfatizou o dever do município na proteção da infância.
"A assistência social atua diretamente na garantia de direitos e na proteção das nossas crianças e adolescentes. Quando ocupamos o espaço público com as famílias, fortalecemos os vínculos comunitários e criamos uma rede sólida de cuidado para impedir a violação desses direitos", frisou a secretária.



