Conscientes do papel e da importância da Cultura para o desenvolvimento em todas as fases da vida, o Centro de Convivência (CC) Andorinhas promoveu um encontro intergeracional. Crianças, adolescentes e idosos que participam de atividades no local se reuniram para um encontro com a memória e as raízes culturais capixabas.
Durante toda a manhã, o grupo contou com o personagem ícone e símbolo do Carnaval de Congo de Máscara de Cariacica, o João Bananeira. Para a maioria dos presentes foi o primeiro e único contato com o folclore capixaba. Um deles foi Diogo Bergue, de 9 anos, que demonstrou encantamento pelo instrumento e pela história contada.
A idosa Maristela Áurea da Silva, 77 anos, que estava no grupo da Educação de Jovens e adultos (EJA) do espaço, contou que já havia ido a Roda D'água, distrito de Cariacica, mas não sabia da história do João Bananeira. Mesmo sem participar da roda de congo, ela disse que estava se sentindo muito bem participando da atividade.
Maristela comentou que o que mais a impactou foi a possibilidade de troca com as crianças e adolescentes. "Sou evangélica, aí fico só vendo a dança. Mas, este encontro é necessário, porque eles estão começando a vida e, nós, idosos, temos o conhecimento do passado. A gente aprende com eles e, também, temos coisas para ensinar e passar. Acho importante esta troca, ouvir e poder falar pra gente aprender", ressaltou a idosa.
Ao ser questionada sobre o que ainda esperava aprender, Maristela foi rápida na resposta: "Ah, ler. Quero aprender para ler a bíblia". Enquanto o adolescente Victor Lopes Félix, de 12 anos, aponta conhecer as pessoas e, principalmente, a história de João Bananeira e poder tocar casaca foi muito emocionante.
O educador social do Centro de Convivência Andorinhas, Magno Encarnação, explicou que a atividade fez parte das atividades desenvolvidas sobre a cultura capixaba com as crianças.
Para a secretária de Assistência Social de Vitória, Cintya Schulz, o trabalho desenvolvido nos serviços de convivência e fortalecimento de vínculos cumprem a função de promover a integração e interação entre os diferentes grupos etários, bem como levá-los a experimentar as outras culturas, territórios, como forma de valorizar a diversidade cultural dos povos e o enriquecimento cultural das famílias.
João Bananeira
De acordo com dados do site iPatrimonio - Patrimônio Cultural Brasileiro, o João Bananeira foi incorporado originalmente ao carnaval de congo de Cariacica. A figura do mascarado equilibra fantasia e realidade da identidade folclórica da congada. Com o rosto coberto pela máscara e o corpo tapado com folhas de bananeira, o mascarado se junta ao cortejo acendendo o imaginário das rodas de congo.
Conforme os relatos dos mais antigos, no meio da procissão, negros e escravos colocavam máscaras para cobrir os rostos e até mesmo usavam meias nos braços para não serem identificados e, assim, participarem do cortejo. Com o tempo, transformou-se numa brincadeira e foi incorporada à tradição da festa folclórica.
O mistério do personagem está em não divulgar quem está por trás da máscara, sendo revelado somente ao final da apresentação. Antes, ainda com as tradições mais enraizadas, para conseguir que não fossem identificados, os mascarados se vestiam nas plantações de banana da zona rural do município.
A dança e irreverência dos mascarados acompanham o som dos tambores e a voz dos congueiros que entoam antigas canções para homenagear a padroeira do Espírito Santo, Nossa Senhora da Penha. A memória acompanha a história do congo da cidade, reforçada no ícone da manifestação popular representado pelo João Bananeira, chamado por alguns de Zé Bananeira.