O aniversário de cinco anos do Abrigo Institucional de Adultos e Famílias, Abrigo 1, celebrado na noite desta segunda-feira (13), foi marcado também pelo lançamento do caderno Caminhos do Acolhimento. A publicação traz o detalhamento da metodologia de trabalho com pessoas em situação de rua adotada no local e os resultados alcançados.
O coordenador do Abrigo 1, Rodrigo Trindade, contou que o material foi desenvolvido com o propósito de organizar e compartilhar a trajetória do equipamento. O texto reúne os conhecimentos construídos de forma coletiva por profissionais e usuários ao longo de anos de atuação no acolhimento de pessoas em situação de rua em Vitória.
"Mais do que um registro técnico, o material é um convite à reflexão sobre o significado do acolhimento como prática pedagógica, como ato de cuidado e como instrumento de transformação social. O abrigo constitui-se como um ambiente educativo no qual a proteção social é compreendida como um processo capaz de fortalecer a autonomia, reconstruir vínculos e estimular novos projetos de vida", comentou o coordenador.
O Abrigo 1 foi inaugurado em 13 de julho de 2021, como parte da política municipal de proteção social especial de alta complexidade desenvolvida pela Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). O equipamento funciona ininterruptamente, 24 horas por dia, ofertando 50 vagas, sendo 10 para mulheres e 40 para homens. Desde sua implantação, o serviço já realizou mais de 3.770 acolhimentos, promovendo acesso à documentação civil, serviços de saúde, educação, qualificação profissional e inserção na rede socioassistencial.
Rodrigo Trindade explicou que ao longo dos anos, a equipe construiu uma metodologia própria denominada Jornada Pedagógica, fundamentada no diálogo e no protagonismo dos sujeitos atendidos. "Essa perspectiva compreende o acolhimento institucional como um espaço de reconstrução de trajetórias, onde cada pessoa possui necessidades específicas que precisam ser respeitadas", comentou ele.
Trindade ressaltou que o método está baseado na compreensão de que o abrigo constitui um espaço de educação não formal, no qual todas as relações possuem intencionalidade educativa e potencial transformador.
"A proposta metodológica reconhece cada pessoa acolhida como sujeito de direitos e protagonista de sua própria trajetória. O acolhimento deixa de se restringir ao atendimento das necessidades imediatas e passa a constituir um processo contínuo de desenvolvimento humano, fortalecimento de vínculos e ampliação da autonomia", falou ele.
A gerente de Proteção Social Especial de Alta Complexidade da Semas, Anacyrema Silva, enfatizou que as ações desenvolvidas no espaço favorecem a ressignificação de vivências marcadas pela exclusão social, contribuindo para o fortalecimento das potencialidades individuais e da capacidade de cada pessoa construir novos caminhos para sua vida.
A secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, destacou o trabalho das equipes da rede de proteção. Ela ressaltou que a publicação do caderno reflete o compromisso em garantir políticas públicas fortes que combatem a invisibilidade social, assegurando acesso aos direitos sociais no momento de maior vulnerabilidade dos indivíduos e famílias.