Acolhidos do Abrigo 1 participam de atividades terapeuticas.
Enquanto chove do lado de fora, dentro do Abrigo Institucional para Adultos e Família, mais conhecido como Abrigo 1, em Santa Lúcia, as atividades estão a todo vapor. A proposta é ofertar aos acolhidos no espaço atividades que os ajudem a superar a condição de rua.
Dentre as ações realizadas nos últimos dias, foi o avanço na organização e montagem de horta e jardinagem medicinal que movimentou o espaço. A atividade foi monitorada pelo engenheiro agrônomo Geneilcimar dos Santos Ferreira, mais conhecido como Genê, e a médica Homeopata e mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local, Henriqueta Sacramento, que atuam na Secretaria de Saúde.
Os encontros com os especialistas ocorrem desde o ano passado (2023), mas a cada oportunidade são propostas novas ações e reflexões com o grupo.
O coordenador do Abrigo 1, Rodrigo Trindade, explicou que a unidade socioassistencial já possui uma jornada de ações psicopedagógicas em consonância com os Planos Individuais de Atendimentos dos acolhidos, que são encaminhados de acordo com as demandas individuais em rede, atenção e atendimentos de saúde, esporte, escolarização (sala EJA municipal), atividades de esporte cultura e lazer.
As demais ações somam no processo de autonomia e superação dessa fase na vida dessas pessoas em situação de rua. A estruturação da horta tem o objetivo maior abordar de forma ainda mais leve a importância do cultivo neste processo de fortalecimento de vínculos e até melhoria da autoestima do público atendido.
O coordenador do Abrigo, Rodrigo Trindade, disse que a ideia de implantação da horta do espaço nasceu como mais uma ação que integra uma jornada pedagógica do Abrigo I pensada e organizada pela equipe multidisciplinar. Pois cuidar de uma horta ou jardim é uma forma de se sentir útil e produtivo, o que contribui para melhorar a autoestima e a qualidade de vida de maneira geral.
Foto Divulgação
Acolhidos do Abrigo 1 participam de atividades terapeuticas.
A jardinagem pode funcionar como uma terapia ocupacional e social, contribuindo para a inclusão e reinserção social, como disse a médica e homeopata Henriqueta. "Quem cuida de um jardim externo, cuida do seu jardim interior", disse a médica, em uma roda de conversa com os usuários e equipe do Abrigo l.
"A proposta de organização da horta vai além de produzir alimentos para consumo dos acolhidos. "Natureza é vida. É a felicidade de comer o que plantou. Mas, acima de tudo, o sentimento de pertencimento", reforçou o engenheiro agrônomo Genê.
Para a secretária de Assistência Social, Cintya Schulz, a integração de trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (Suas) com do Sistema Único de Saúde (SUS) é muito importante para que possibilidades de superação da condição de rua sejam potencializadas. "Temos a certeza de que as pessoas em situação de rua precisam de diversas políticas públicas e integradas, com elas seu potencial é ampliado", ressaltou.