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A participação feminina na construção do território capixaba é tema de exposição

Publicada em 29/09/2022, às 11h50

Por Brunella França (blfrancaeira$4h064+pref.seme.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes


  • Educação de qualidade

Foto Divulgação
Mulher e cidade
Encontro Formativo de Humanas, com o tema "Silenciamentos: a participação feminina na construção do território capixaba". (ampliar)
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Mulher e cidade
Encontro Formativo de Humanas, com o tema "Silenciamentos: a participação feminina na construção do território capixaba". (ampliar)

Para ampliar as experiências vivenciadas pelos profissionais de Geografia e História da rede de ensino de Vitória, contribuindo para a busca de novos conhecimentos teórico-metodológicos e para o aprimoramento das práticas pedagógicas, a Secretaria Municipal de Educação, promoveu o 3º Encontro Formativo de Humanas, com o tema "Silenciamentos: a participação feminina na construção do território capixaba".

Com palestra, oficina artística e circuito na cidade, o resultado das atividades realizadas pelos educadores está em exposição na Seme.

A proposta essencial das oficinas e debates foi buscar reflexão acerca de alguns pontos fundamentais para pensar as práticas pedagógicas: compreender a cidade como espaço educativo; perceber os espaços de poder como parte das contradições presentes na cidade, sendo essas mais nocivas às mulheres, principalmente às mulheres negras; perceber os territórios periféricos como espaços de opressão e também de luta, muitas vezes sob liderança feminina pouco evidenciada, mas tão necessária.

A trilha formativa integra o projeto "Educar para Vitória: práticas pedagógicas nas áreas do conhecimento", elaborado para o ano de 2022 com o objetivo de contribuir para a formação de uma consciência histórica, espacial e política, necessária nos processos de transformação social dos indivíduos.

As mulheres na construção do território capixaba

Os trabalhos dos educadores destacam nove mulheres. Luiza Grimaldi foi lembrada como a mulher que governou o Espírito Santo de 1589 a 1593, após o falecimento de Vasco Fernandes Coutinho.

Outro nome entre os trabalhos é o de Maria Saraiva, uma das mais tradicionais figuras populares de Vitória no final do século XIX. Negra e ex-escravizada, foi doceira, empreendedora de sucesso e devota de São Benedito.

A memória de Zacimba Gaba, princesa de Cabinda, na Costa Oeste da África, também teve destaque. Ela veio escravizada para o Brasil e desembarcou no Porto da Aldeia de São Mateus, onde após anos de violação, conseguiu fugir e fundar seu próprio quilombo.

Outro nome que está na exposição é Judith Leão Castello Ribeiro. Nascida no município da Serra, foi a primeira mulher eleita deputada estadual no Espírito Santo. Participou das campanhas pelo direito das mulheres ao voto, sendo uma das fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) no contexto capixaba, organização nacionalmente liderada por Bertha Luz.

Ernestina Pessoa é nome de um Centro Municipal de Educação Infantil no bairro Moscoso. Carinhosamente conhecida em Vitória como "Dona Neném", foi mestra de várias gerações que depois se destacaram na política, na administração pública, em profissões liberais e no parlamento capixaba.

Maria Ortiz esteve na resistência a piratas holandeses que chegaram a Vitória em 1625. Os corsários, ao tentarem alcançar a parte alta da então vila, foram surpreendidos pela jovem Maria Ortiz que, da janela do sobrado onde morava, lançou tachas de água fervendo sobre eles.

Maria Stella de Novaes é nome de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental na Grande Vitória. Ela foi uma das professoras e pesquisadoras mais respeitadas do Espírito Santo. Publicou, ao longo de sua carreira, quase 100 livros, a maioria com estudos científicos nas áreas de botânica, pedagogia, história, folclore, além de algumas obras literárias.

Outra biografia destacada é a de Verônica da Pas, médica psiquiatra, militante do movimento negro e propulsora do movimento de mulheres negras do Espírito Santo. Uma das idealizadoras do Museu Capixaba do Negro (Mucane), que hoje tem o nome dela.

Por último, Domingas Fellipe, eternizada em escultura pelo artista italiano Carlos Crepaz, a catadora de papelão tem uma biografia baseada em conversas com os comerciantes do Centro Vitória, onde era muito conhecida.

A formação

O tema "Silenciamentos: a participação feminina na construção do território capixaba" foi abordado pelas professoras Noélia Miranda ("Territórios e corpos silenciados") e Priscilla Lauret ("Mulher e cidade: um olhar contra hegemônico"), compartilhando sobre sua pesquisa de mestrado e sobre os aportes teóricos para a produção de uma oficina artística e um circuito formativo pelo Palácio Anchieta e seu entorno.

A partir das explanações, os professores foram divididos em duplas ou trios para produzirem uma colagem com a temática "A mulher e a cidade de Vitória: um olhar contra hegemônico", usando técnica mista e diferentes materiais.

Os trabalhos reunidos na Secretaria de Educação foram produzidos por professores de História e Geografia da PMV durante o 3º Encontro Formativo de Humanas, no último dia 20 de setembro. O encontro foi desenvolvido pela Gerência de Formação e Desenvolvimento em Educação, por meio da Coordenação Pedagógica de Formação, tendo como professoras referência Priscilla Lauret (História) e Jaciara Beceveli (Geografia).

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Encontro Formativo de Humanas, com o tema "Silenciamentos: a participação feminina na construção do território capixaba". (ampliar)
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Encontro Formativo de Humanas, com o tema "Silenciamentos: a participação feminina na construção do território capixaba". (ampliar)

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