Imprensa
Seminário debate violências que atingem as pessoas em situação de Rua
Publicada em | Atualizada em
Por Rosa Blackman (rosa.adrianaeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes
"A Assistência Social é para quem dela precisar e, as pessoas em situação de rua são nosso público prioritário". A afirmação foi feita na manhã desta terça-feira (17), pela secretária de Assistência Social, Cintya Schulz, ao abrir o primeiro Encontro para debater os "Processos de violências que atingem as pessoas em situação de Rua".
O evento, que lotou o auditório do Museu Capixaba do Negro (Mucane), localizado no Parque Moscoso, contou com palestras de Carlos Fabian, da Secretaria de Educação; do psicólogo do Serviço de Acolhimento Institucional para pessoas em situação de rua com transtorno mental II, Ramon Pinto Valim; e do psicólogo, especialista em empreendimentos culturais pela PUC MG, mestre e doutorando em Psicologia Institucional pela UFES, Antônio Martins Vitor.
Durante toda a manhã, estiveram juntos representantes dos serviços governamental e não governamental e usuários do sistema num debate que para a usuária da Hospedagem Noturna Valdineia Oliveira de Jesus, de 37 anos, foi importante para saber que tem pessoas preocupadas com a situação de quem está na rua.
Valdineia que, recentemente, graças ao esforço dos trabalhadores do Centro Pop conseguiu tirar a certidão de nascimento que nunca havia tido acesso, já está com a carteira de identidade e à espera de receber o CPF e se inscrever para fazer o título de eleitor.
"É disso que a gente precisa. Precisamos de pessoas que nos ajudem e oriente. Desde que entrei no Centro Pop estou vendo minha vida mudando positivamente. Só falta eu ter todos os documentos para me matricular e estudar para aprender a ler e escrever. As coisas estão começando a dar certo", afirmou ela.
Para Antônio Ribeiro Luz, de 53 anos, acolhido no Abrigo Jabour, é preciso momentos como esse para que as pessoas em situação de rua tenham voz e sejam ouvidas. Para ele, o mais importante foi o direito que as pessoas em situação de rua à cultura. Enquanto que para o coordenador do nacional do Movimento Pop Rua Bruno Donato, o ponto de maior relevância é a população de rua poder entrar em espaço como um museu.
"Aqui, não estamos invisíveis. Aproximar os espaços das pessoas é muito importante. Somos seres que, também, precisam estar em contato. Temos sonhos e agora, esperança. Muito lindo tudo. Muito linda essa interação", comentou Donato. Ele disse já torcer pela realização de um segundo encontro.
Segundo a gerente de Proteção Social de Alta Complexidade, Anacyrema Silva, a proposta foi pensar quais os principais processos de violência que atingem as pessoas em situação de rua, que as fazem sofrer e as fazem morrer, seja morte física, psicológica ou social.
"Ao passo que há o cerceamento dessas vidas, intensificados de modo acentuado por marcadores de raça, classe e de gênero, essa população ainda resiste e cria formas de sobrevivência. Assim, esse encontro se propõe a pensar em quais processos que os vulnerabilizam e, ao mesmo tempo, quais mecanismos de criação de vida essas pessoas inventam para si", explicou Anacyrema.
A subsecretária de Proteção Social Especial da Semas, Carla Scardua, destacou a importância do Encontro já que o tema violência preocupa a sociedade. "É ainda mais preocupante quando atinge uma população em condições de maior vulnerabilidade como a população em situação de rua", ressalta Carla.
A secretária de Assistência Social, Cintya Schulz, reforça a importância do Encontro para juntos poder público, sociedade civil e usuários do sistema analisar mais profundamente essa população no seu conjunto e buscar respostas às suas especificidades. "Por estarem na condição de rua, essa população é invisibilizada pela sociedade. A população em situação de rua faz parte do público prioritário da Assistência Social por se encontrarem num quadro de risco e vulnerabilidade social", afirmou a secretária.
Cintya fez questão de frisar que "nosso foco é sempre a garantia de direitos e a superação da condição de rua e o Seminário contribui com o diálogo na cidade".



