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Reforma do Centro de Vivência 6 resgata dignidade e direitos de adolescentes

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Por Rosa Blackman (rosa.adrianaeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes


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Foto Divulgação
Reforma do Centro de Vivência 6 resgata dignidade e direitos de adolescentes
Para N., morador deo local, a revitalização da área externa e da quadra de esportes mudou sua perspectiva de futuro.
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Reforma do Centro de Vivência 6 resgata dignidade e direitos de adolescentes
Já para E., de 13 anos, que também é moradora do local, o refúgio é a biblioteca.

Os relatos dos adolescentes que moram no Centro de Vivência 6 (CV6) sobre a reforma que o espaço recebeu revelam a profundidade do impacto social da obra. A unidade, que acolhe adolescentes de 12 a 18 anos, passou por um processo de revitalização e troca de móveis, que pode parecer um ato pequeno demais para ser celebrado, mas que para eles é motivo de festa.

Por isso, uma comemoração foi organizada pela equipe que atua no espaço, que fez questão de convidar a prefeita de Vitória, Cris Samorini, a secretária de Assistência Social, Carla Scardua e representantes do sistema de garantia de direitos - Defensoria Pública e Ministério Público - para participarem do momento que foi pra lá de especial.

O clima de euforia, alegria e pertencimento dominava entre os adolescentes do CV6, que fizeram questão de conversar com todos e falar sobre o sentimento do "antes e depois" da reforma. A adolescente H., de 14 anos, recorda o impacto inicial, já que chegou ao local antes da reforma. "Sinto-me melhor do que em casa. O ambiente influencia nossas emoções e essa mudança foi fundamental", afirma. Ela define o novo momento: "Hoje posso dizer que tenho um lar, algo que nunca tive. Estou em um ambiente seguro, onde posso me expressar. Aqui, meus direitos são garantidos".

A sensação de segurança e acolhimento é compartilhada por N., também de 14 anos. Para ele, a revitalização da área externa e da quadra de esportes mudou sua perspectiva de futuro. "Com certeza é melhor do que muita casa. Na quadra, eu posso sonhar em ser jogador de futebol, mas a equipe também está abrindo portas para eu pensar em outras profissões", revelou o adolescente.

Já para E., de 13 anos, o refúgio é a biblioteca. "É um espaço fresco e agradável. Mas tudo melhorou: a TV na sala, a organização dos quartos", disse, demonstrando desenvoltura. O relato de E. carrega uma forte carga emocional sobre o resgate de sua identidade. "Antes, eu ouvia que era uma decepção; não podia expressar meus sentimentos nem minha religião. Aqui, dizem que sou importante e que trago alegria. Eu me identifico com que dizem que eu sou aqui", desabafou.

Ela destacou ainda o acesso básico à segurança alimentar. "Aqui tenho meus direitos respeitados. Tenho cinco refeições por dia; antes, comia no máximo duas. Agora estudo e sonho em ser atleta ou artista".

Para a secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, a reforma vai além da estética, sendo uma ferramenta de política pública. "O ambiente físico é um componente essencial do cuidado. Quando oferecemos um espaço digno, limpo e estruturado, estamos enviando uma mensagem direta a esses adolescentes de que eles são prioridade. O acolhimento humanizado, também, passa por um espaço que promova bem-estar e convivência", pontuou a secretária.

A prefeita de Vitória, Cris Samorini, reforçou o compromisso da gestão com a proteção social. "Garantir que esses adolescentes se sintam em casa e tenham seus direitos integralmente respeitados é o nosso dever maior. Ver o brilho nos olhos e a retomada dos sonhos desses adolescentes é a prova de que investir no social é o caminho para uma Vitória mais justa e humana", finalizou a prefeita.

Renovação

De acordo com o coordenador do espaço, Aguilar Souza, a revitalização de quartos, corredores e áreas de convivência é o cenário de uma mudança mais profunda. Desde 2024, o CV6 vem adotando assembleias participativas e escutas qualificadas, dando voz aos jovens na organização da rotina e do espaço aonde residem.

"Cuidar da estrutura física e, acima de tudo, investir no potencial de cada um deles, garante direitos fundamentais e define uma nova metodologia de trabalho, de portas destrancadas e participação coletiva à autonomia e protagonismo no próprio processo de proteção. O espaço renovado é o alicerce para novas práticas pedagógicas que priorizam o acolhimento humanizado", afirmou o coordenador do CV6.

Essa nova fase já reflete em conquistas práticas, como elencou o coordenador: hoje, os adolescentes têm maior liberdade para o deslocamento desacompanhado até a escola e demais atividades no território onde se encontram. Nos últimos seis meses, quatro dos acolhidos ingressaram no programa Adolescente Aprendiz, garantindo os primeiros passos rumo à autonomia financeira.

Aguilar contou ainda que o reordenamento na modalidade e fluxo dos acolhimentos do município auxiliaram no novo formato e no atendimento direcionado ao público atendido. "Com essa parceria entre Adra e PMV, na implantação deste novo cenário, o CV6 deixou de ser um acolhimento de curta permanência, para atuar com acolhimento de média e longa duração. "O objetivo está bem claro: fortalecer o vínculo familiar, com a possibilidade de uma reintegração mais assertiva ou preparar nossos adolescentes para a vida adulta com dignidade", explicou ele.