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Lordose pra Leão abre show da banda Nazareth em Vitória, com tributo ao histórico Festival Dia D

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Por Pedro Vargas (pedrovargaseira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes


Foto Divulgação
Cartaz divulgação.

O rugido do rock capixaba vai ecoar antes mesmo dos primeiros acordes da banda Nazareth tomarem conta da Praça do Papa. A Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria de Cultura (Semc), anunciou, nesta segunda-feira (22) a banda Lordose pra Leão como atração de abertura do aguardado show da lendária banda, que ocorre no dia 16 de julho,  às 20 horas.

O show de abertura não será qualquer aquecimento. O grupo capixaba prepara um verdadeiro mergulho afetivo na memória musical do Espírito Santo com um tributo especial ao Festival Dia D, movimento que transformou a cena autoral capixaba entre os anos de 1999 e 2002 e entrou para a história cultural do Estado. O festival, realizado sempre na icônica Praça do Papa, popularizou bandas locais ao dividirem o palco com grandes nomes nacionais, reunindo tribos, estilos, guitarras, tambores, distorções e sonhos.

"Trazer o Lordose para abrir o show do Nazareth é mais do que montar uma programação musical. É reconhecer a história de um movimento que ajudou a moldar a identidade cultural de Vitória e do Espírito Santo. O Dia D ensinou uma geração inteira a acreditar na força da música produzida aqui, mostrou que nossos artistas podiam ocupar grandes palcos e dialogar com o Brasil inteiro. Ver a Praça do Papa voltar a receber essa energia, agora ao lado de uma banda mundial como o Nazareth, cria uma ponte muito bonita entre memória, pertencimento e futuro. É a celebração de um legado que continua vivo e ainda inspira novas gerações de músicos e de público", declarou o secretário municipal de Cultura, Edu Henning.

Um reencontro entre gerações do rock capixaba

 A escolha do Lordose pra Leão para abrir o show da Nazareth parece escrita pelas próprias mãos do destino roqueiro. Fundada em 1991, nos corredores e rodas de violão da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a banda se tornou uma das maiores referências do rock produzido em terras capixabas.

O anúncio também chega em um momento simbólico para o conjunto, que celebra 35 anos de trajetória mantendo o mesmo vigor artístico que marcou sua origem.

Com letras marcantes, sonoridade autêntica e personalidade própria, o grupo ajudou a abrir caminhos para toda uma geração de artistas locais. O impacto foi tão grande que o Lordose chegou a desbancar gigantes como Legião Urbana e Madonna entre as músicas mais pedidas da extinta Rádio Capital FM com a canção "Jullyetsch", em 1992.

Mais tarde, alcançou projeção nacional ao lado de Zé Ramalho na emblemática "Ananias e o Cavalo", faixa do disco "Os Pássaros Não Calçam As Ruas", lançado em 1996 e considerado um dos álbuns mais importantes da música capixaba.

Na esteira desse movimento vieram nomes como Mukeka di Rato, Casaca e Solana, consolidando uma cena musical que transformou os anos 2000 em um período de orgulho para a cultura.

Ao longo da carreira, o grupo lançou seis discos, incluindo o recente "Lordose Canta Letaif", de 2024, além de trabalhos históricos como "Todo Mundo Está Feliz", de 2001.

Formada por Adolfo Oleari (vocal), Serjão Nascimento (vocal), Márcio Vaccari (bateria e vocal), Breno Lepaus (trompete), Agnaldo Roberto (trombone), Luciano Cruz (saxofone), Felipe Izar (guitarra) e Wagner Fabri (baixo), a banda aguarda o lançamento do vinil comemorativo "Orquestra Pop & Jazz com Lordose Ao Vivo", gravado no Teatro da Ufes com mais de 40 músicos no palco revisitando clássicos da carreira.

Espírito do Dia D de volta à Praça do Papa

Para muitos capixabas, falar do Dia D é falar de juventude, liberdade e descoberta musical. O festival nasceu em julho de 1999 e, logo em sua primeira edição, reuniu cerca de oito mil pessoas na Praça do Papa. Nos anos seguintes, cresceu até alcançar mais de 20 mil participantes em uma maratona sonora de 14 horas e mais de 50 grupos musicais.

Os palcos Moqueca, Capixaba, Vitória, Palco das Artes e Expressão recebiam bandas de diferentes estilos, do punk rock ao congo, do eletrônico ao alternativo. Era possível caminhar entre guitarras distorcidas, tambores ancestrais e novas experimentações sonoras em um mesmo espaço.

Agora, mais de duas décadas depois, esse espírito retorna simbolicamente ao mesmo cenário, pelas mãos de uma banda que ajudou a construir essa história.

Nazareth

O show do Nazareth em Vitória homenageia o Dia Mundial do Rock, celebrado em 13 de julho, e integra a turnê "Latin America Hits", que celebra mais de 55 anos de carreira da banda escocesa.

Vitória será uma das poucas cidades brasileiras a receber o espetáculo e a única com apresentação gratuita ao público.

Referência mundial do hard rock setentista, a banda chega à sua 12ª visita ao Brasil (a primeira foi em 1990 e a mais recente, em 2019).

Formado em 1968, na Escócia, o conjunto construiu um legado poderoso no rock, com uma discografia que ultrapassa 20 álbuns de estúdio e sucessos que seguem ecoando geração após geração.

Canções como "Love Hurts", "Hair of the Dog" e "Dream On" prometem transformar a Praça do Papa em um grande coral a céu aberto. E antes disso, o Lordose pra Leão terá a missão e o privilégio de reacender a chama de um dos capítulos mais importantes da música capixaba.