Celebrado nesta quarta-feira (3), o Dia Mundial da Bicicleta convida a refletir sobre a importância desse meio de transporte, que, além de sustentável, tem mudado hábitos e transformado a relação das pessoas com a cidade. Seja para trabalhar, estudar, praticar exercícios ou simplesmente se locomover, a bicicleta tem conquistado cada vez mais espaço na rotina dos capixabas.
Para muitos ciclistas, pedalar representa mais do que uma forma de deslocamento. É uma alternativa para fugir do trânsito, economizar tempo e encontrar mais qualidade de vida no dia a dia.
O professor Felipe Dall'Orto, de 46 anos, adotou a bicicleta como principal meio de transporte há mais de uma década. Segundo ele, a escolha trouxe praticidade e menos estresse para a rotina: "Ela facilita muito o meu deslocamento, principalmente quando eu estou voltando, porque eu vejo que os carros estão todos parados no trânsito, por volta das 17h30, e eu passo e isso acaba me deixando menos estressado. Eu comecei com patinete quando era pequenininho e aí quando chegaram as bicicletas maiores, eu mudei para a bike. H há 10 anos eu vendi meu carro, inclusive".
A crescente utilização das bicicletas elétricas também tem ampliado o debate sobre mobilidade urbana e convivência nos espaços públicos. Para Felipe, a solução passa por infraestrutura e conscientização. "A bicicleta elétrica é uma alternativa. Mas para isso precisa de diálogo e conscientização", afirma.
Entre os estudantes, a bicicleta também aparece como uma aliada na mobilidade. A universitária Bárbara de Almeida Belarmino, de 22 anos, utiliza as ciclovias para chegar à faculdade e destaca a importância da estrutura disponível na capital capixaba. "Eu busco fazer caminhos diferentes e sempre pelas ciclovias, tê-las na capital ajuda muito. O caminho que faço, da Avenida Leitão da Silva até a faculdade na Avenida Vitória, tem ciclovia o caminho todo, isso é muito bom", conta.
A experiência de Bárbara reflete uma demanda crescente por investimentos em mobilidade ativa. Para o estudante Ricardo Diogo da Mata, de 15 anos, a bicicleta faz parte da rotina desde cedo e acompanha diferentes momentos do seu dia. "Eu costumo usar sempre, porque esse meio de transporte é útil para onde vou. Vou à escola, saio com os amigos, vou para treino e tenho essa bicicleta há bastante tempo. Sempre me ajudou muito" diz.
Além dos benefícios para a mobilidade, pedalar contribui para a saúde física e mental. A prática regular auxilia no condicionamento cardiovascular, fortalece os músculos e pode ajudar na redução do estresse. Ao mesmo tempo, representa uma alternativa sustentável, já que não produz emissões de gases poluentes durante o deslocamento.
Quem escolheu as duas rodas na cidade de Vitória mostra que esse meio de transporte vai além da locomoção. Para muitos, a bicicleta representa liberdade, autonomia e uma maneira mais humana de vivenciar a cidade.
Malha cicloviária
Vitória possui uma ampla malha cicloviária, o que demonstra o compromisso da capital com uma mobilidade sustentável. A cidade conta com 40 km de ciclovias, 25 km de ciclofaixas e 5,1 km de ciclorrotas.
Decreto sobre bikes elétricas, autopropelidos e ciclomotores
A Prefeitura de Vitória publicou em abril um decreto que estabelece novas regras para micromobilidade. As normas variam de acordo com a velocidade máxima permitida nas vias:
- Acima de 60 km/h: fica proibida a circulação de todos os modais: ciclomotores, bicicletas, bicicletas elétricas e autopropelidos.
- Até 60 km/h: ciclomotores podem circular no bordo direito da pista. Bicicletas e autopropelidos ficam proibidos, exceto quando houver infraestrutura cicloviária.
- Até 40 km/h: ciclomotores seguem no bordo direito da via. Bicicletas, elétricas e autopropelidos devem usar ciclovias ou ciclofaixas; na ausência, podem circular também pelo bordo direito.
O uso de capacete de segurança passa a ser obrigatório para condutores e passageiros. No caso de ciclomotores, o capacete deve obedecer especificamente as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas passam a ser destinadas exclusivamente a bicicletas, bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos, sendo proibida a circulação de ciclomotores nesses espaços. A velocidade máxima nesses locais será de 32 km/h, salvo indicação diferente por sinalização no trecho.