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De volta ao seu lugar: Hermes reencontra a praça após 46 anos e Vitória respira história outra vez

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Por Pedro Vargas (pedrovargaseira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de SEGOV/SUB-COM


Jansen Lube
Estátua Deus Hermes abandonada é encontrada pela Semc
Foto Divulgação
Uma passarela foi montada para permitir o deslocamento seguro até o pedestal.
Uma passarela foi montada para permitir o deslocamento seguro até o pedestal. (ampliar)

A quarta-feira (18) terminou diferente em Vitória. Por volta das 21h30, quando a cidade já desacelerava, a estátua do Deus Hermes, depois de quase meio século longe de casa, enfim, encontrou seu lugar de origem, a Praça Cecília Monteiro, no Centro Histórico de Vitória. Não foi um retorno qualquer. Foi um reencontro.

A operação, conduzida pela Prefeitura de Vitória, por meio de uma parceria entre a Secretaria de Cultura (Semc) e a Central de Serviços, teve início ainda de tarde, às 17 horas. Cada etapa foi pensada como quem cuida de algo precioso; e era. Afinal, não se transportava apenas uma escultura de 400 quilos em mármore Carrara; transportava-se memória.

Envolta cuidadosamente em materiais de proteção e acomodada em uma estrutura de madeira projetada para evitar qualquer impacto, Hermes deixou o terreno em Vila Velha, onde permaneceu por décadas, em uma retirada delicada, quase cerimonial. O local, de difícil acesso, exigiu técnica, paciência e precisão.

Por volta das 20 horas, sob escolta da Guarda Municipal de Vitória (GCMV), o trajeto seguiu pelas ruas com discrição estratégica. A escolha do horário não foi por acaso: menos trânsito, menos riscos, mais segurança para o que estava em jogo.

Ao chegar à praça, um cenário igualmente meticuloso já aguardava a escultura. Uma passarela foi montada para permitir o deslocamento seguro até o pedestal; aquele mesmo que, por 46 anos, permaneceu vazio, como uma ausência visível.

Ao todo foram quatro horas e meia de operação. Quinze profissionais envolvidos. Um trabalho silencioso, técnico e, ao mesmo tempo, carregado de significado. Quando Hermes finalmente tocou novamente seu lugar de origem, não foi apenas o fim de uma logística complexa. Foi o início de um novo capítulo.

O secretário municipal de Cultura, Edu Henning, destacou o simbolismo do momento. "Esse é sem dúvida o capítulo mais surpreendente do projeto RenovAção, porque materializa aquilo que defendemos desde o início: o patrimônio não é apenas um vestígio do passado, mas um ativo vivo da cidade. Ao devolver Hermes ao seu lugar de origem, não estamos só concluindo uma operação técnica bem-sucedida, estamos restabelecendo uma continuidade histórica que havia sido interrompida. É um gesto concreto de reparação simbólica, que reafirma o compromisso da gestão com a memória urbana, com a identidade coletiva e com a valorização do Centro como espaço de pertencimento e de significado para a população", declarou.

Já o secretário responsável pela Central de Serviços, Leonardo Amorim, (Léo Formigão), enfatizou o cuidado técnico e avaliou positivamente a operação. "Cada detalhe foi planejado com rigor. Desde a retirada em um terreno de difícil acesso até a instalação final, trabalhamos com precisão quase cirúrgica. Nosso compromisso era garantir que Hermes voltasse inteiro; fisicamente e simbolicamente, ao seu lugar. O trabalho foi um sucesso", concluiu.

Travessia de décadas

O retorno à praça é o desfecho de uma trajetória digna de romance histórico. Esculpida em mármore Carrara pelos artistas e irmãos Pedro Gianordoli e Ferdinando Gianordoli em 1912, a estátua de Deus Hermes integra o conjunto escultórico da escadaria Bárbara Monteiro Lindenberg.

Desaparecida em 1979, a estátua foi retirada pelo Governo do Estado da época, para um restauro que não se concretizou. O que parecia desaparecimento revelou-se abandono das gestões passadas.

Décadas depois, a história começou a mudar graças à inquietação de quem se recusa a aceitar o esquecimento. A investigação do historiador Raphael Teixeira reacendeu a busca e levou à redescoberta da peça, abrindo caminho para sua recuperação por meio do projeto RenovAção.

Conhecedor da ação da Cultura de Vitória, Raphael levou a história à pasta, onde encontrou acolhimento imediato nos trabalhos do projeto.

Renovação que devolve sentido

O retorno da estátua à praça não encerra o processo, ele o consagra. A peça, de 114 anos, foi entregue assim como encontrada: "in natura" com as marcas do tempo e da pitoresca história pela qual passou. Agora, novamente em seu espaço original, o RenovAção estuda possibilidades de restauro do Deus Hermes a fim de recompor detalhes e preservar suas características originais, garantindo que sua presença seja não apenas simbólica, mas também íntegra.

Lançado em 2025, o RenovAção já soma cerca de R$ 250 mil em investimentos e tem como meta restaurar e valorizar 62 monumentos públicos catalogados da capital até 2026; número que, com a volta de Hermes, agora passa a ser 63.

Foto Divulgação
Deus Hermes recolocado no local.
Peça de 114 anos foi devolvida "in natura" e agora o projeto RenovAção estudará possibilidades de restauro da obra.
Foto Divulgação
Estátua do Deus Hermes recolocada no local.
Feita em mármore carrara, estátua pesa 400 quilos e exigiu uma estrutura especial da Central de Serviços no local. (ampliar)