Imprensa
Cras São Pedro II promove mostra de cinema para famílias acompanhadas pelo serviço
Publicada em
Por Rosa Blackman (rosa.adrianaeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes
"A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte". Os versos cantados pela banda Titãs definem de forma bem clara o desejo e necessidade de todas as pessoas. Por isso, a equipe do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Judite Francisca Venâncio da Silva - Território São Pedro II - promoveu o Cine Cras, uma mostra de filmes voltada às famílias acompanhadas pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif).
O espaço foi um dos pontos de exibição credenciados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC). Com o tema "Direitos humanos e emergência climática: rumo a um futuro sustentável", a curadoria da mostra, realizada na última quinta-feira (18), reuniu produções de realizadores indígenas, quilombolas e ribeirinhos. A seleção evidenciou a conexão direta entre justiça ambiental, diversidade cultural e a garantia de direitos sociais.
Das quatro produções exibidas, o documentário "Lugar de Toda Pobreza", que retrata a história do território de São Pedro, comoveu o público. Muitos dos presentes nasceram ou se mudaram para a região no início do processo de ocupação. Entre os adolescentes do Centro de Convivência, as imagens da década de 1990 causaram forte impacto. A maioria nunca tinha visto registros da época e poucos conheciam o passado do bairro de forma tão profunda.
"Fiquei surpreso. Não imaginava que fosse assim tão precário, com tanto lixo e as pessoas ali misturadas. Meu pai é dessa época e já tinha me falado, mas ver é outra coisa, muito mais chocante", comentou o adolescente Ravé dos Santos Boa, de 14 anos. Ao ser questionado sobre o sentimento que dominava aquele momento, ele foi categórico: "Orgulho. Estou sentindo muito orgulho da luta dos moradores e do que conseguiram fazer para mudar aquela realidade".
Andreia Maria Cordeiro, de 40 anos, não conteve as lágrimas. Ao final da exibição, ela destacou que ver a transformação do lugar é motivo de orgulho para toda a comunidade. Para ela, o filme mostra que a população local sempre lutou por dignidade e por um futuro melhor para suas famílias.
"Aqui está a prova de que não queremos ficar na mesmice. Não somos acomodados. Somos fruto da resistência daquelas pessoas. Por isso, digo que é uma honra representar e fazer parte deste bairro", afirmou Andreia.
O psicólogo do Cras, Antônio Juvenal, enfatizou que a iniciativa reforça o papel do equipamento público como um garantidor de cidadania e transformação social. "Hoje, as famílias estão usufruindo do direito de acesso à cultura e à arte. As famílias precisam saber que o Cras São Pedro II também é um espaço de lazer e conhecimento", explicou.
Segundo o profissional, desmistificar o papel do Cras é fundamental para aproximar a comunidade. "O Cras precisa ser entendido como um espaço para além das burocracias e da liberação de benefícios. É um local de acesso a direitos e de fortalecimento de vínculos, um espaço onde as pessoas queiram estar. Um lugar para verem outras histórias e construírem novos caminhos. Hoje, eles puderam ver o documentário e enxergar que este território é muito potente, compreendendo também a importância da sua preservação ambiental", pontuou.
O Cine Cras acontece mensalmente na unidade, abrindo espaço para debates sobre mobilização social, combate à violência contra crianças e adolescentes e a defesa dos direitos da pessoa idosa. Além de exibição dos filmes, é feita uma roda de conversas com o grupo sobre as produções. Ontem, a roda foi conduzida pela assistente social Goreti Celestino.
A nível nacional, a articulação também é celebrada. Segundo Adriana Gomes, coordenadora de Políticas de Cineclubes, Educação e Festivais da Secretaria do Audiovisual do MinC, "exibir e debater filmes é um processo de formação da consciência crítica. O MDHC e o MinC têm feito esse trabalho de forma consistente, alcançando quem mais precisa na ponta".
Para a diretora substituta de Promoção dos Direitos Humanos do MDHC, Cândida Souza, o cinema atua como uma ferramenta viva de transformação. "Quando juntamos cinema com direitos humanos, estamos falando de narrativas e de histórias que conectam as pessoas de uma forma diferente. Aqui em Brasília, construímos a política pública, mas é no território que esses direitos humanos, de fato, se realizam", afirmou.
A gerente de Atenção à Família da Secretaria de Assistência Social de Vitória (Semas), Juliana Moura, destacou o impacto direto dessas ações na rotina e na autoestima das famílias atendidas. "Levar o cinema e a reflexão histórica para dentro do Cras é uma forma de devolver a essas famílias a sua própria identidade e o orgulho de sua trajetória. O Paif não cuida apenas das vulnerabilidades materiais, mas também do fortalecimento emocional e social de cada morador", ressaltou.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, reforçou o compromisso do município em expandir o conceito de assistência no território. "A verdadeira assistência social se faz quando unimos a segurança alimentar ao acesso à cultura, ao lazer e à memória histórica. Garantir que a comunidade de São Pedro ocupe esses espaços de debate é consolidar o direito pleno à cidadania e mostrar que toda família tem o direito de prosperar com dignidade", concluiu.



