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Violência contra mulher inspira alunos a montar exposição Mulheres Fragmentadas

Publicada em

Por Carmem Tristão, com edição de SEGOV/SUB-COM

Com a colaboração de Janaína Zambelli


Divulgação Seme
Exposição alunos violência contra a mulher
Divulgação Seme
Exposição alunos violência contra a mulher

Maria da Penha Fernandes, vítima de violência doméstica que virou nome de lei; Araceli Cabrera, estuprada e morta aos 8 anos de idade; Warries Dirie, garota defensora da luta pela erradicação da prática da mutilação genital feminina, da qual foi vítima aos 3 anos de idade; Anne Frank, jovem judia, um dos ícones da perseguição nazista na Segunda Guerra Mundial; mulheres árabes e indianas, que sofrem publicamente com abusos, humilhações, opressão; e negras, que, por séculos, foram escravizadas.

No período em que o Espírito Santo passou a ocupar o primeiro lugar no ranking nacional de violência contra a mulher, uma professora de Artes resolveu tratar em sala de aula de um assunto tão delicado de forma igualmente delicada. Pelas mãos dos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Ceciliano Abel de Almeida, em Itararé, essas mulheres ganharam brilho, beleza, imponência e charme em telas produzidas em mosaico confeccionadas com lantejoulas, miçangas, botões, brincos, flores, conchas e pedras.

No mês em que se completam oito anos da Lei Maria da Penha, será também o período em que esses trabalhos estarão expostos. As obras fazem parte do projeto "Mulheres Fragmentadas" e poderão ser conferidas a partir desta segunda-feira (11), das 8 às 18 horas, no hall de entrada da Prefeitura de Vitória. A exposição termina no dia 22 e será a última oportunidade para apreciar o tratamento vibrante e colorido conferido às telas antes da viagem da professora Gisélle Góes para a Holanda, onde vai novamente expor os trabalhos de seus alunos e palestrar sobre a inclusão social por meio da arte.

Divulgação Seme
Exposição alunos violência contra a mulher
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Exposição alunos violência contra a mulher

Inspiração

Ela conta que se inspirou no artista plástico brasileiro Vik Muniz, que utiliza materiais inusitados para confeccionar suas obras, e abordou o tema da violência doméstica em sala como forma de estimular os estudantes a formular sugestões para solução desse mal social. Entre os assuntos mais comentados, os alunos citaram o Botão do Pânico como uma das ações mais importantes implantadas no Espírito Santo em defesa da mulher.

"Quando me deparei com a notícia que falava da problemática sobre a violência contra mulher, percebi que era necessário de alguma forma inserir o assunto no dia a dia dos estudantes, para que eles pudessem entender e refletir sobre suas atitudes. Selecionei algumas imagens de personagens que sofreram alguma violência e os alunos trabalharam diversos elementos nas imagens, como aplicação de flores, formas, e até mesmo utilização de cacos de vidro e pneus de carro. Eles ficaram tão animados e engajados com o projeto que trouxeram materiais até mesmo de casa", ressaltou a professora Gisélle Góes.

Conhecimentos

"Eu tinha pouco conhecimento sobre o assunto. Eu não sabia que a violência doméstica era tão comum no dia a dia de algumas mulheres. Pior ainda é saber que essa triste realidade não acontece só no Brasil. Fiquei muito animada em participar do projeto e me conscientizar cada vez mais", relatou Alanis de Paula Souza Aguilar, 13 anos, aluna da 7ª  série que participou do projeto.

"A partir do momento que tomei conhecimento do assunto, me interessei cada vez mais pela temática e pela realização dos trabalhos na sala de aula. No começo, a técnica foi um pouco difícil de aprender, mas depois nos acostumamos a aplicar as miçangas com o lápis ou até mesmo com os dedos. Ficaram lindos, né? Foi uma experiência bem legal produzir arte que tem como pano de fundo a abordagem de um assunto que é de extrema importância para os adolescentes de hoje em dia", disse Marília Gabriela Oliveira, aluna de 13 anos.

"Fiquei muito orgulhosa dos meus alunos, pelo empenho, dedicação, entrosamento e resultado nas telas. Também estou muito ansiosa para poder expor e palestrar novamente sobre os projetos na Holanda. Infelizmente a realidade de lá é bem parecida com a do Brasil. Portanto, a abordagem e discussão do assunto são de extrema importância, uma vez que, por meio do conhecimento e reflexão, essa realidade pode mudar e a violência diminuir. Esse é o meu objetivo junto aos alunos. Quero que cresçam e se tornem adultos conscientes", finalizou Gisélle.

Divulgação Seme
Exposição alunos violência contra a mulher
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