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Alunos do Vitória Alfabetizada comemoram o Dia Mundial da Alfabetização

Publicada em

Por Carmem Tristão, com edição de Matheus Thebaldi


Diego Alves
Vitória Alfabetizada - Isabel da Silva Barreto e Isabela da Silva Barreto
Izabel da Silva Barreto (à direita) é uma das alunas que comemoram a conquista alcançada nas aulas do Vitória Alfabetizada
Diego Alves
Vitória Alfabetizada - Alice Pereira da Silva
Alice Pereira da Silva contou que abandonou os estudos muito cedo, mas sempre teve vontade de aprender a ler e escrever

No Dia Mundial da Alfabetização, comemorado nesta última segunda-feira (8), quem celebra são os novos participantes do projeto Vitória Alfabetizada. A aposentada Izabel da Silva Barreto, de 64 anos, por exemplo, aposta numa mudança radical de vida após frequentar as aulas do programa.

"Eu comecei a estudar depois de adulta, mas, logo em seguida, meu marido sofreu um AVC e precisei interromper os estudos para poder cuidar da família. Quem não sabe ler e escrever pra tudo precisa pedir ajuda a alguém. E essa história vai mudar. Pelo menos a minha história vai mudar, sim", disse.

A aposentada Alice Pereira da Silva contou que abandonou os estudos muito cedo, mas sempre teve vontade de aprender a ler e escrever. "Eu morava no interior, a escola era longe, não existia condução que levasse os alunos, então eu tinha que percorrer grandes distâncias a pé e depois trabalhar na lavoura à tarde. Era muito cansativo. Decidi que era melhor trabalhar para ajudar nas contas de casa", contou a aluna, que emendou:

"Não saber ler e escrever dificultou, por exemplo, medicar os meus filhos, porque não sabia o que estava escrito nas embalagens dos remédios. Com o tempo, foi a minha visão que começou a ficar comprometida. Foi quando eu vi meu sonho ir por água abaixo. Mas a Prefeitura me deu óculos novos e eu estou enxergando tinindo, e aprendendo também", comemorou a aluna.

Os óculos que dona Alice ganhou são uma ação do projeto "De olho no futuro", do Programa Saúde Escolar (PSE), numa parceria entre as secretarias municipais de Saúde (Semus) e Educação (Seme). "O conhecimento e a permanência do adulto na sala de aula estão diretamente ligados aos problemas de visão. Afinal, ler e escrever é primordial, mas enxergar bem é fundamental", disse a secretária municipal de Educação, Adriana Sperandio.

"Quem me convenceu a participar do projeto foi a minha vizinha Idalina, que agora também é colega de turma. Para tudo que exigia leitura, eu precisava recorrer à minha filha ou ao meu genro. Receita de forno e fogão, então, só gravando na cabeça. Em pouco tempo, já pude perceber a grande diferença que ler e escrever já está fazendo na minha vida. Eu anoto números de telefones, pego ônibus para visitar parentes e amigos, leio endereços, tudo sem precisar de ajuda. E ainda ganhei óculos novos. Estou muito feliz", disse a doméstica Natalina Rosa Ferreira, de 62 anos.

Serviço

"Eu estou gostando demais porque estou começando do zero numa sala que não tem bagunça e, assim, a gente pode se concentrar melhor. Foram 31 anos trabalhando e, por não saber ler e escrever, eu perdi muitas boas oportunidades de serviço. Eu nasci e fui criado na roça e estava mais preocupado em produzir para poder garantir o sustento da minha mulher e dos meus três filhos, que, graças a Deus, estão todos formados. Nunca me enganei no meu serviço e sempre tive vontade de aprender. Até pouco tempo atrás era minha família quem dependia de mim. Agora sou eu que dependo dela até para ler bula de remédio. E se eu puder ler e escrever sem precisar pedir ajuda, vai ser melhor", destacou o mecânico Matheus Antônio Santos, de 58 anos.

Diego Alves
Vitória Alfabetizada - Natalina Rosa Ferreira
Natalina Rosa Ferreira disse que não depende mais dos outros para fazer anotações e ler
Diego Alves
Vitória Alfabetizada - Idalina Rosa Jacinto
Idalina Rosa Jacinto contou que só sabia pegar ônibus ao identificar a cor do coletivo

Ônibus

"Eu só sabia pegar o ônibus pela cor. E foram várias as vezes que peguei ônibus errado, porque eu ficava com vergonha de perguntar o que estava escrito na placa. Eu sempre quis estudar. Até chegava a me matricular, mas ficava um pouco irritada com a barulheira da sala de aula. Agora olha eu aqui. Todo mundo da mesma idade, todo mundo quieto, concentrado, aprendendo. Nem ônibus errado eu pego mais. Isso aqui está ótimo, está nota 10", pontuou a dona de casa Idalina Rosa Jacinto, de 67 anos.

Aulas

Com o objetivo de transformar o processo de alfabetização numa realidade, os encontros podem acontecer em espaços próximos ao aluno, como igrejas, associações de moradores ou centros comunitários. E foi isso que estimulou a participação de alguns alunos.

Lançado em julho de 2013, o Vitória Alfabetizada foi criado com o objetivo de garantir a universalização da alfabetização até 2016 de cerca de 4 mil jovens e adultos moradores da capital, prioritariamente na faixa etária produtiva, com idade entre 15 e 59 anos.

Em 2013, o projeto contou com 307 alunos, que formaram 17 turmas em 10 bairros de Vitória. Em 2014, já são 204 alunos em 11 turmas de nove bairros diferentes.

O sucesso do projeto é também da população, que está indicando nomes de pessoas que precisam aprender a ler e escrever. O processo é muito simples: basta preencher um formulário rápido aqui para a equipe entrar em contato.

Diego Alves
Vitória Alfabetizada - Professora Jaqueline
Aulas do Vitória Alfabetizada acontecem em espaços alternativos
Diego Alves
Vitória Alfabetizada
Alunos não escondem a satisfação por aprender a ler e escrever e, ainda, poder alçar novos voos na vida pessoal e profissional