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Escola da Vida: pessoas superam situação de rua e conquistam emprego e autonomia

Publicada em 12/08/2019, às 17h18 | Atualizada em 12/08/2019, às 17h18

Por Paula M. Bourguignon (pmacbourguignon@vitoria.es.gov.br) | Com edição de Matheus Thebaldi


Guiomedce Paixao

Empregados, Ricardo

Ricardo Conceição está perto de realizar o sonho de voltar a trabalhar após ser assistido pelo Centro-Pop

Guiomedce Paixao

empregados Patricia Gladson

Patrícia está fazendo curso de qualificação de cabeleireiro e vende doces com Gladson para terem renda

"No Dia das Crianças, vi os pais junto dos seus filhos com sacolas saindo da Vila Rubim. Só lembrava dos meus filhos. Estava ali na calçada há mais de uma semana, todo sujo e sem comer nada. Percebia que eu precisava mudar. Decidi me internar", disse A. M. B., de 39 anos, ex-pessoa em situação de rua e que foi assitido pela Escola da Vida da Prefeitura de Vitória.

Atualmente, ele está na Hospedagem Noturna e conquistou um emprego em uma lanchonete. Ele era casado e teve três filhos, mas acabou entrando no mundo das drogas.

"Falhei por deixar o aluguel atrasado e na alimentação dos meus filhos. Usei o dinheiro que tinha para comprar o tênis do meu filho e acabei usando para algo que não devia. Primeiro acabei com um casamento de 15 anos, depois saí do emprego e, quando me dei conta, meus filhos estavam longe", lembrou.

Ele foi para o Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População de Rua (Centro-Pop), em Mário Cypreste, onde encontrou o apoio de que precisava.

"Quando estava nas madrugadas nas ruas, me sentia muito mal, vinham a angústia e o sofrimento. Agora, o que mais quero é ter meus filhos. Estou sendo acompanhado pelo Centro-Pop e pela Escola da Vida, dormindo na Hospedagem Noturna e consegui um emprego por meio do Sine. Vou fazer diferente a minha história".

Autonomia

A. continua acompanhado pela assistente social Meriely Toniato Freire e pela psicóloga Suzana Maria Fina Alvim, orgulhosas da evolução dele.

"Esse assistido sempre procurou a sua inserção no mercado de trabalho. Isso é motivo de orgulho e satisfação ele ter reconquistado esse trabalho", disse Meriely.

"É surpreendente acompanhar a sua história. Cada cidadão deve conquistar sua autonomia em tudo que faz. Vou continuar batalhando para que novos assistidos trilhem o mesmo caminho", falou Suzana.

Guiomedce Paixao

Empregados Ageu

A. M. B. está na Hospedagem Noturna e conquistou um emprego em uma lanchonete

Guiomedce Paixao

Empregados Ageu

A. continua acompanhado pela assistente social Meriely Toniato Freire e pela psicóloga Suzana Maria Fina Alvim

Mais um caso de superação

Outras ex-pessoas em situação de rua que estão reconquistando seu espaço na sociedade com o apoio da rede Escola da Vida é o casal Patrícia de Azevedo, 51, e Gladson da Rocha, 31.

"Pela Escola da Vida, já fiz vários cursos e foi lá que me senti verdadeiramente acolhida. Fiz cursos de confeitaria, empreendedorismo, cuidadora de idosos e manicure. Faço curso também de cabeleireiro  promovido pelo Sine. Não tenho medo de trabalho. Hoje conquistamos nossa moradia alternativa em Jaburu e vendemos doces", falou Patrícia.

"Depois que a conheci, deixei muita coisa para trás. Patrícia me faz pensar no futuro", disse Gladson.

Curso

O curso de cabeleireiro faz parte do projeto "Mãos que trabalham", coordenado pela Associação Gold, com gestão da Gerência de Qualificação do Trabalhador (Semcid) e recursos do Procon Vitória. 

"O objetivo do curso é promover o empoderamento e a melhoria das relações de consumo dessas pessoas. No final de oito meses de curso, elas vão receber um kit e orientações de como se tornarem microeempreendedores individuais para iniciarem no mercado de trabalho, pois estarão capacitados para isso", explicou a gerente de Qualificação do Trabalhador, Fabiana Oliveira.

Casa própria

O casal Felipe Nascimento Lima, 29, e Luiza Vieira Moreira, 21, também superou a situação de rua. Juntos há um ano e 8 meses, já estão morando juntos em Consolação.

"Nos conhecemos no Centro-Pop e ficávamos nas ruas e marquises do Sambão do Povo, praça Costa Pereira e Jardim da Penha. Estava desempregado há dois anos. Além de procurar a Escola da Vida, fui falando para todo mundo que queria voltar a trabalhar. Hoje, estou terminando de construir a nossa casa", comentou Felipe.

"O Centro-Pop sempre nos aconselhava a sair das ruas. Hoje, o que mais quero é ir para nossa casa, trabalhar de carteira assinada também, para viver bem com meu marido e termos nossos filhos", disse Luiza.

Trabalho

Já Ricardo Conceição, 28, está perto de realizar o sonho de voltar a trabalhar. "Estou só aguardando a entrevista para iniciar na empresa. Mas já consigo ver meu futuro fora das ruas. Iniciei no Centro-Pop e agora durmo na Hospedagem Noturna. Assim aprendi a valorizar cada coisa que eu conquisto", reforça .

Os técnicos do Centro-Pop Klicia Boamorte da Victoria, que é assistente social, e Lucas Torquato Nascimento, que é psicólogo, falaram que ele é muito perseverante.

"A superação dele sempre foi de tentar vencer a situação onde se encontrava. Desde o início do seu atendimento, Ricardo sempre falava que queria sair das ruas", ressaltou Klicia .

"Ricardo confia muita na equipe do Centro-Pop e sabemos de que forma podemos contribuir positivamente para seu processo", ponderou Lucas.

Escolhas

"Nos sentimos felizes em saber que o nosso trabalho está surtindo algum efeito na vida desses assistidos. Eles estão em processo de saída das ruas ou já estão morando seja em suas casas ou na Hospedagem. Eles são motivados sempre pelos técnicos, que os acompanham a tentar a reconstruir suas próprias vidas e suas escolhas", disse a supervisora técnica do Centro-Pop, Zilane Ferreira Lima.

Superar

"Acreditamos que o trabalho é a forma mais digna dos nossos assistidos superarem a situação de rua. Eles podem contribuir para a sociedade de alguma forma, ter sua própria renda e fazer suas próprias escolhas, sendo algo que eles queiram adquirir para uso pessoal ou alugar seu próprio imóvel, ajudando na autonomia e na conquista de seus vínculos afetivos", citou o coordenador do Centro-Pop, Mauro Motta.

Propósito

"Capacitamos esses assistidos através da Escola da Vida para se inserirem no mercado formal e também serem empreendedores de forma autônoma. Assim a volta deles no mercado de trabalho dá um novo sentido na vida dessas pessoas, que passam a ser vistas de forma mais valorizada pela própria sociedade. Eles constróem um propósito e uma nova história", explicou o gerente da Escola da Vida, Luiz Melo.

Guiomedce Paixao

Empregados Felipe e Luiza

Felipe e Luiza saíram da situação de rua e estão construindo a casa própria

Guiomedce Paixao

Empregados Clicia e Lucas

Psicólogo Lucas Nascimento e assistente social Klicia da Victoria acompanham assistidos no Centro-Pop


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