Paula Barreto

O acesso à merenda escolar de boa qualidade é um direito constitucional, e, para garanti-lo, o município complementa os recursos que recebe do Ministério da Educação. Em 2009, os recursos destinados à merenda escolar pela União e pela Prefeitura de Vitória somam R$ 4,7 milhões.
Cada escola tem suas necessidades específicas. Por isso, a prefeitura divide com as unidades de ensino a tarefa de gerenciar as verbas. Além de receberem produtos licitados, como leite em pó, óleo de soja, açúcar, arroz e feijão, as escolas dispõem de uma quantia destinada à aquisição de outros gêneros, a exemplo de legumes, ovos, verduras, frutas e cereais.
Fornecer aos alunos da rede pública uma alimentação adequada é uma das prioridades da cidade de Vitória. A merenda, quando bem equilibrada, consegue suprir as carências alimentares das crianças, principalmente daquelas de baixo poder aquisitivo, contribuindo para a melhoria na aprendizagem e a diminuição no número de alunos que repetem o ano ou abandonam as aulas.
A equipe de alimentação escolar da prefeitura é composta por oito nutricionistas. Sete prestam assessoria técnica às escolas, ficando cada profissional responsável por visitar, em média, 15 unidades. Outra nutricionista permanece na Secretaria de Educação (Seme), coordenando os trabalhos.
Cada escola é visitada duas vezes no mês. Nessas ocasiões, a profissional planeja o cardápio e observa se os procedimentos alimentares estão sendo seguidos corretamente. Ela verifica o peso e a validade dos produtos estocados; as condições de armazenamento; a escolha e a higienização dos legumes, das frutas e das verduras; e acompanha o preparo da refeição.
Graças ao trabalho da equipe, as escolas apresentam um cardápio balanceado, que supera a média de necessidades nutricionais recomendadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Uma regra válida para todas as unidades de ensino é que não podem ser servidos frituras, embutidos, refrigerantes, gorduras ou balas. Há cardápios específicos para as crianças que apresentam restrições alimentares (diabetes, intolerância à lactose e ao glúten).
As profissionais também realizam palestras e oficinas voltadas à comunidade escolar, abordando assuntos, como aproveitamento total dos alimentos e obesidade. Usam, inclusive, o teatro para ensinarem às crianças as vantagens de uma alimentação saudável.
Todas as escolas municipais de ensino fundamental (EMEFs) e os centros de ensino infantil (CMEIs) possuem um cardápio diferenciado: o prato que agrada os alunos numa escola pode não ser bem aceito em outra. Nas unidades, as pessoas que lidam com a alimentação conhecem as preferências dos alunos. Por isso, discutem com as nutricionistas as preparações que podem ser servidas.
Além disso, a equipe de nutrição aplica testes de aceitabilidade em algumas EMEFs. São realizados da seguinte forma: as crianças recebem uma ficha em que existem as opções "detestei", "não gostei", "indiferente", "gostei" e "adorei". Ao final da refeição, emitem a opinião a respeito do prato. O alimento só é mantido no cardápio se ele for aprovado por mais de 85% dos alunos consultados.
Para garantir a segurança alimentar dos alunos, torna-se necessária a preparação dos alimentos em cada horário. Como forma de evitar o desperdício, as merendeiras contam as crianças presentes.
Nos meses de janeiro e julho, as merendeiras frequentam um curso no qual aprendem regras de boas práticas alimentares e recebem dicas para controlar o estoque de produtos. A cada dois anos, participam do Cozinha Brasil, curso realizado em parceira com o Serviço Social da Indústria (Sesi), cujo objetivo é divulgar técnicas para o preparo de pratos de baixo custo, mas de alto valor nutritivo.
O trabalho da equipe de nutrição é feito em parceria com o Conselho de Alimentação Escolar (CAE), entidade responsável por fiscalizar a aplicação do dinheiro repassado às escolas para a compra de gêneros alimentícios. Duas vezes por semana, os conselheiros vão às escolas e são acompanhados pelas nutricionistas.
Última atualização em 19/08/2010.