Vitória: como surgiu

Janete Carvalho

Lugar de belas paisagens, cercado pelo mar e onde o sol brilha o ano inteiro. Simples definição para Vitória, uma cidade com 451 anos de história. A capital do Espírito Santo faz aniversário no dia 08 de setembro, vivendo um dos momentos mais promissores desde a sua fundação, em 1551. Atualmente, com quase 290 mil habitantes, esse arquipélago composto por 34 ilhas e uma porção continental, integra uma área geográfica de grande nível de urbanização. Trata-se da região metropolitana, compreendida pelos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Guarapari e Fundão.

Intimamente ligados à colonização do Brasil, os fatos históricos de Vitória estão vinculados à divisão das terras brasileiras em capitanias hereditárias, pelo rei de Portugal, dom João III. São muitos os personagens que fazem parte dos fatos notáveis ocorridos na ocupação dos 105 km² da ilha, como também são inúmeras as artimanhas do destino que tiveram de enfrentar para conquistar esse lugar.

O rei tinha a intenção de dividir o Brasil em amplas faixas de terra e entregá-las a nobres do reino, os capitães donatários, para povoá-las, explorá-las com recursos próprios e governá-las em nome da Coroa. A partir de 1530, dom João III estabelece 15 capitanias hereditárias. Com larguras diversas elas se estendem do litoral para o interior e constituem a primeira estrutura de governo colonial, implantada pela metrópole para funcionar em todo território nacional.

Personagens

Coube ao capitão Vasco Fernandes Coutinho a capitania do Espírito Santo, nome escolhido pela coincidência da chegada da caravela no dia em que se comemora o fim da festa religiosa do Divino Espírito Santo (23 de maio). A caravela Glória, que veio de Portugal com uma tripulação de 60 pessoas, chega em 1535. Os primeiros marujos desembarcam na praia de Piratininga, perto do Morro do Moreno, onde surge um povoado com o nome de Vila de Nossa Senhora da Vitória.

Em troca do compromisso com o povoamento, a defesa, o bom aproveitamento das riquezas naturais e a propagação da fé católica, o rei atribui aos donatários inúmeros direitos e isenções. Cabe a eles a distribuição de sesmarias, terras incultas ou abandonadas, aos colonos que trabalhavam nos engenhos de açúcar. A produção e exportação desse produto se transformam na principal atividade econômica da capitania.

Apesar do donatário não perder tempo na ocupação das terras, não foi Vasco Coutinho o fundador de Vitória e sim um dos companheiros dele, Duarte de Lemos. Ele recebe a ilha de Santo Antônio como recompensa pelas bravuras na navegação portuguesa para descoberta de novas rotas marítimas e áreas de exploração mercantil que culminariam no comércio com as Índias.

Índios

A vida nos engenhos e povoados, porém, não é fácil. Sofre com a presença constante de corsários franceses e com a hostilidade dos índios goitacás e aimorés. Para resistir melhor aos ataques, a sede da capitania é abandonada e uma nova sede construída na ilha de Santo Antônio com o nome de Vila Nova, em contraste com Vila Velha. Nos dois lugares havia muita tensão naquela época, provocada pela invasão dos portugueses às terras ocupadas pelos índios, que se juntam para enfrentar os exploradores portugueses. Numa dessas batalhas, surge o nome de Vitória.

No dia 08 de setembro de 1551 os índios invadem o povoado e, decididos, iniciam uma marcha violenta rumo ao centro colonizado. As mulheres, crianças e enfermos são levados para a parte mais alta da ilha, que está mais protegida. Os colonos enfrentam os índios hostis, que são derrotados. Os exploradores portugueses comemoram com uma grande festa. A partir dessa data a ilha passa a se chamar Vila da Vitória. Elevada à categoria de cidade pela lei de 17 de março de 1823, a província passa a ser chamada apenas de Vitória.

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