Obra de criação humana

José Antonio Martinuzzo

Cloves Louzada

Primeiro e mais antigo parque da cidade aberto ao público, o Parque Moscoso é, em sua totalidade, fruto do desejo, do engenho e da inventividade humana. Tudo o que está lá, em seus 24.142 m2, foi planejado e implantado pelas mãos do homem, pelo paisagista Paulo Mota, em 1908.

Originalmente, a área, o antigo Campinho dos tempos coloniais, era um extenso manguezal, aterrado no fim do século passado, quando ainda não existia a consciência do valor e da importância desse ecossistema. Hoje, a vegetação do parque é essencialmente composta por espécies nativas de Mata Atlântica.

Desprovido de muros, o parque, segundo relata Elmo Elton em seu Logradouros Antigos de Vitória, "foi inaugurado, festivamente, a 19 de maio de 1912" e mais lembrava uma grande praça - era, em verdade, um grande jardim. O espaço foi prontamente cercado por elegantes casas da elite de Vitória. Por suas alamedas, entre seus lagos e à sombra de suas majestosas árvores, desfilava a fina flor da sociedade vitoriense. O Clube Vitória, legendário espaço de grandes acontecimentos sociais, o primeiro Colégio Salesiano, o Colégio Americano e vários cinemas, dentre tantas outras instituições que marcaram a vida de Vitória, tomaram lugar nas cercanias do Parque Moscoso. Por algumas décadas, o parque foi o centro do Centro da Cidade.

O nome é uma homenagem ao presidente da província Henrique Moscoso, o primeiro a se preocupar com o local. Em 1940, o espaço foi completamente reformado pelo então prefeito Américo Poli Monjardim, que dotou o local de um novo sistema de iluminação. Nos anos 50, o parque ganhou uma concha acústica e uma escolinha infantil. A concha, uma das poucas construções desse tipo no Brasil, é patrimônio tombado pelo Conselho Estadual de Cultura. Na década de 70, veio o muro, para livrar, o mais possível, o parque dos medos de um cotidiano já intranqüilo e do perigo da velocidade do tráfego intenso na região.

A cidade mudou e vem se mudando rumo ao norte. Com o crescimento urbano, o parque foi emoldurado pelos altos edifícios e as belas fachadas das casas dos ricos de antigamente se escondem atrás das placas do comércio popular de hoje. Mas a mudança nos cenários das cercanias, se não fizeram tão bem à região como um todo, só fazem potencializar o valor e alertar para a importância do Parque Moscoso como refúgio verde, tranqüilo e bucólico no labirinto nervoso da cidade.

Seguindo sua trajetória de transformações ao longo do tempo, o parque passa por um novo processo de revitalização, com melhorias em sua infra-estrutura e em seus equipamentos de lazer e de educação, dentre outros. Mas, para isso, não se afasta do passado. Pelo contrário, volta às origens. O projeto de revitalização prevê a troca do muro por grades e o redesenho do traçado original das alamedas, aproximando o logradouro um pouco mais da imagem do parque de outrora.

Há muito, o Parque Moscoso já não é patrimônio exclusivo de Vitória. Ele é referência de lazer, cultura e turismo para a região metropolitana e todo o Estado. Além dos turistas, são freqüentadores assíduos do parque crianças, jovens e aposentados, em busca de lazer, descanso e descontração. Muitos dos milhares de personagens que passaram pelo parque já fizeram caras e bocas em frente às caixas fotográficas dos lambe-lambes, uma tradição no local.

Graças à sua beleza e à sua importância como espaço de lazer, cultura e educação ambiental, o Parque Moscoso, que nasceu artificial, plantado que foi sobre aterro de manguezal, conquistou a originalidade, parecendo ter sempre estado ali. Até porque os manguezais não deixaram sequer um rastro por toda a região e a vegetação das encostas dos morros que o circundam se familiariza com aquela presente no interior do parque.

Confira os dados técnicos do Parque Moscoso


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