Mundo verde sobre o mar

José Antonio Martinuzzo

Edson Chagas
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Um mundo verde emerge das águas que resultam do encontro do rio com o mar. Na baía noroeste de Vitória, próximo à foz do Rio Santa Maria da Vitória, fica a Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão. São 8,9 milhões de metros quadrados de um viçoso verde que toma espaço entre o azul do céu e o do mar.

Por entre caminhos sinuosos moldados pelo capricho da "mata" que parece flutuar, desliza-se atrás do crustáceo e do peixe nosso de cada dia, matéria-prima para o trabalho e a sobrevivência das tão conhecidas desfiadeiras de siri, dos catadores de caranguejo e dos pescadores de Vitória.

Por lá, navega-se em busca dos dados da ciência e da pesquisa; esgueira-se a procura do encanto da paisagem turística da Rota Manguezal; e equilibra-se na coleta de casca das árvores do mangue para a obtenção do tanino de tingir as famosas panelas de barro de Goiabeiras. Tudo sob orientação, vigilância e fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, em parceria com outros órgãos ligados à proteção ambiental.

A estação ecológica foi criada em 1986, abrigando e protegendo a maior área de manguezal de Vitória, que também está associada à maior área de mata seca de restinga do município.

O manguezal recobre 92,66% da estação ecológica, abrigando basicamente três espécies: Rhyzophora mangle, Languncularia racemosa e Avicenia schaueriana. O restante da área é ocupado em sua maior parte por vegetação esclerófila litorânea e cultura rudimentar de subsistência. A fauna do lugar é representada principalmente por peixes, crustáceos, moluscos, aves e pequenos mamíferos. A estação ecológica possui também 655.000 m² de terra firme, com solos de restinga, na Ilha do Apicu, de propriedade particular, atualmente em processo de desapropriação.

Elemento de ligação entre o mar, a terra e os rios, as áreas de mangue são pontos de desova de inúmeras espécies marinhas, sendo consideradas o berçário do mar. No manguezal, a mistura de água salgada com sedimentos provenientes dos rios transfere matéria orgânica para a manutenção da cadeia alimentar da costa, garantindo um importante meio de subsistência para as famílias de pescadores.

Mas, apesar de toda a sua importância, esse ecossistema é um dos mais ameaçados pela expansão imobiliária das cidades. Felizmente, a integração, proveitosa para todos, entre as comunidades do entorno e o ecossistema do Lameirão garante vida e verde fartos na estação ecológica.

Confira os dados técnicos da
Estação Ecológica Municipal Ilha do Lameirão


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