Somem-se
terras de barão, no caso o de Monjardim, lendas e histórias de
tempos outros, além de muitas belezas da Mata Atlântica, e o resultado
da operação será o Parque Municipal da Gruta da Onça,
localizado no Centro de Vitória.
Acervo
Semmam
Acervo
Semmam
O parque se
apresenta, logo na entrada, com jardins em meio à escadaria. Poucos
passos acima, guardando uma fonte escondida por blocos de rocha,
está lá, no alto de uma pedra, uma onça-pintada esculpida em concreto
e cravada ali com as expressões de felino pronto para o ataque.
A imagem de ferocidade, que fez correr para junto do mar do Penedo
o índio lendário que buscava as águas límpidas da fonte para matar
a sede, hoje é convite para aproximação e não mais motivo da fuga
que virou lenda.
Passado o "susto" e recuperado o fôlego, os caminhos
levam a um passeio privilegiado, ao som do canto de pássaros,
em companhia de pequenos mamíferos, como coelhos, cuícas e gambás-de-orelha-preta,
e sob a sombra das copas frondosas de paus-ferro, sapucaias, adernes,
mulembás, ipês e jequitibás.
Elizabeth
Nader
No meio dos
caminhos, algumas paradas obrigatórias: as cinco praças, o orquidário
e a capela ecumênica, cujo painel principal, pintado pelo artista
plástico Ely Vicentini, transportou Jesus Cristo do cenário árido
da Palestina para o aconchego das matas tropicais - não sem a
presença da onça que batizou o parque.
Muitos
passos acima, o Mirante da Pedra da Raposa oferece visões inesquecíveis
da baía, do Penedo e do porto, descortinando algumas das mais
belas paisagens de Vitória.
Nos caminhos do parque, além de visitantes, caminham moradores
da região. Trilhas e ruelas da Gruta da Onça não levam somente
ao lazer, à contemplação da natureza e aos estudos do meio ambiente,
elas transportam os habitantes do entorno até as suas casas. Pessoas
que incorporaram o parque ao seu cotidiano, mantendo-o longe da
violência e da depredação. A Gruta da Onça faz parte do universo
daquilo que há de mais belo em suas vidas. É o ganho social sendo
somado a esse precioso patrimônio ambiental da cidade.
Acervo
Semmam
O
parque possui três nascentes, que abastecem o Chafariz da Capixaba,
construção de 1828 localizada na entrada do logradouro, além de
fornecer água a algumas residências vizinhas. Moradias que, aliadas
ao ronco longínquo dos carros, alertam, de vez em quando, os visitantes
para o fato de que se está dentro de uma cidade. Não fosse isso...
A origem do parque remonta a 1904, quando a área de propriedade
do barão de Monjardim destinada ao cultivo de café foi desapropriada
com a finalidade de proteger as nascentes que abasteciam o Chafariz
da Capixaba. Durante o governo de Américo Poli Monjardim (1937/1944),
foi criado o Orquidário Municipal, colocado sob a administração
do botânico norueguês Finn Knudsen.
No ano de 1944, o município de Vitória comprou parte das terras
dos herdeiros do barão, que completaram o espaço atual. Na década
de 50, a área teve suas espécies origjnais reintroduzidas, após
o total abandono do cultivo de café no local. Em 1996, o parque
foi totalmente recuperado e entregue à população.