Um
parque de encher os olhos
José Antonio Martinuzzo
| Elizabeth
Nader |
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Quase
que a razão, a inspiração maior, deixa de existir, transforma-se
em poeira e blocos de pedra para construção. O Parque Pedra
da Cebola é emblemático: a mensagem de resistência e luta
por um ambiente mais saudável, que marcou a mobilização comunitária
para a instalação do parque, está indelevelmente marcada na própria
Pedra da Cebola.
A formação rochosa, cujas reentrâncias e curvas foram esculpidas
ao longo dos anos pela ação da natureza, insiste em equilibrar-se
sobre uma rocha moldada pelo corte seco das máquinas e pelas mãos
do homem em busca de matéria-prima para o progresso.
Mas o bom senso chegou a tempo. De pedreira, o local redimiu-se
em parque. A pedreira de Goiabeiras, de propriedade da Companhia
Vale do Rio Doce (CVRD), foi desativada em 1978, dando espaço
para a implantação do parque, ocorrida em 1997, constituindo-se
na primeira recuperação de área degradada por esse tipo de atividade
econômica no Município.
O paisagismo se destaca pela integração e associação de exemplares
de vegetação nativa com os elementos naturais rochosos presentes
em todo o parque - mas não sem algum contraste com a exuberância
das plantas ornamentais introduzidas no local.
Bromélias e lago compõem a beleza rústica da parte superior do
parque, onde também estão localizados a casa de meditação e o
espaço cultural do Mosteiro Zen Morro da Vargem, destinados à
filosofia, às artes e à vivência da milenar cultura oriental.
O jardim zen-budista encanta com suas curvas esculpidas num chão
de alvas pedrinhas esparramadas entre poucas e elegantes espécies
de vegetação rupestre e de restinga. São espaços que reforçam
a atmosfera mística do parque e convidam à reflexão, fazendo o
contraponto silencioso ao barulho infernal que imperava no local
até poucos anos atrás.
Pequenos répteis e aves migratórias e domésticas freqüentam o
lugar. O relevo suave-ondulado da parte superior do logradouro
se interrompe abruptamente no fosso da cratera de onde se extraíam
blocos de pedras. No paredão de pedra cavoucada, pratica-se e
ensina-se montanhismo. No local da antiga jazida, há uma área
plana de 28.000 m², com espaços para eventos e práticas esportivas
variadas.
Um dos maiores atrativos é a sensação de liberdade que a perspectiva
do horizonte propõe, numa região em que as construções já ocupam
boa parte da visão. A localização e a amplitude, que esparramam
beleza no precioso espaço que sobrou da extração mineral e da
corrida imobiliária, possibilitam um bem-estar que extrapola os
limites do parque.
De lá podem ser contemplados, uma vez que a vegetação alcança
pouca altura além do chão, todos os elementos que compõem a geografia
da ilha: restinga, manguezal, mar, Mata Atlântica de Encosta,
dentre outros. À noite, a espetacular iluminação não deixa adormecer
o encanto, destacando a beleza que a luz do sol salienta ao dia.
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Edson
Chagas
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E o local é mesmo para quem gosta de exercitar a visão. Observada
à contraluz, a Pedra da Cebola, com seus traços, curvas e reentrâncias,
desenha o perfil de um rosto de mulher - uma senhora para muitos;
a face de uma mucama, para outros. É ter olhos para ver.
Confira
horários de visitação, localização, equipamentos e
dados técnicos do Parque Pedra da Cebola