A Comissão de Estudos Afro-brasileiros (Ceafro), criada pela atual administração municipal em 17 de agosto de 2004, tem como meta promover estudos e viabilizar ações com vistas à implementação na rede municipal de Ensino de Vitória, das disposições da Lei 10.639/03 de 09 de janeiro de 2003, atuando assim, na perspectiva do cumprimento a obrigatoriedade da inclusão no currículo oficial da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana”.
Nesse período a Comissão, em consonância ao que determina as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, tem desenvolvido junto ao magistério e educandos várias ações, que vão desde os momentos iniciais de sensibilização a execução do seu Plano de Ação; prestando homenagens aos profissionais e escolas que desenvolvem de trabalhos em favor dos afro-brasileiros; a produção de um vídeo-documentário e caderno de estudos "Educando Contra o Racismo".
Além de assessoria às unidades de ensino da Capital e a realização do Fórum Municipal de Educação Afro-brasileira.A Ceafro é formada por Adriano dos Santos Batista, Ana Lúcia Araujo da Silva, Célia Maria dos Santos Zamborlini, Maria do Rosário Varejão e Yasmim Poltronieri Neves.
Homenagem Olga Maria Borges
A estatueta“Professora Olga Maria Borges” premia professores e unidades de ensino de Vitória que se destacam no ano letivo vigente no desenvolvimento de trabalhos em favor dos afro-brasileiros. A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra.
A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Com isso, professores devem inserir em seus programas aulas sobre os seguintes temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. Com a implementação dessa lei, o governo espera contribuir para o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.
A estatueta Olga Maria Borges foi criada em homenagem à professora falecida em 1998. Nascida em Vitória 1941, foi criada em Caratoíra. Filha de mãe lavadeira (Vitalina Borges), estudou na Escola Alberto de Almeida (que hoje pertence ao sistema municipal de ensino de Vitória) e por vários anos lavou roupa para custear os estudos em outra escola particular.
Formada em Magistério pela antiga Escola Normal São Vicente de Paulo, situada na Cidade Alta. Em 1959, foi lecionar no interior do estado, trabalhando em Nova Venécia, Guaraná, Aracruz, João Neiva e no distrito de Calogi, onde atuou como diretora.
Em vitória, Olga Maria Borges ajudou na fundação de várias escolas como as EMEFs Paulo Roberto Vieira gomes, localizada em São Benedito, sendo a primeira professora; na EMEF Regina Maria Silva, em Inhanguetá, trabalhou na EMEF Alberto de Almeida, em Santo Antônio. Olga Maria Borges dedicou 26 anos a alfabetização de crianças, uma das suas maiores paixões, sendo de chamada Tia Olginha.
Vídeo-documentário
Com parte deste trabalho, em 2007, a Ceafro produziu mais dois instrumentos de apoio para as aulas de promoção da igualdade racial: o vídeo-documentário e caderno de estudos intitulados "Educando Contra o Racismo". O vídeo-documentário e caderno de estudos "Educando Contra o Racismo" trazem experiências de implementação da Lei 10.639/03 no sistema municipal de ensino de Vitória, construído por meio de diálogo com alunos, educadores, estudiosos, pesquisadores e militantes do movimento negro local e nacional.
Relações raciais é o foco da obra do vídeo-documentário e caderno de estudos Educando contra o racismo, realizado pela produtora capixaba Lúmen Vídeos. O vídeo é voltado para a implementação da Lei 10.639/03, que inclui o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo do ensino fundamental e médio, no sistema educacional público e privado do País.
Com duração de 29 minutos, o documentário Educando contra o racismo se organiza em torno das entrevistas feitas com alunos e educadores do sistema municipal de ensino de Vitória e comentado por estudiosos, pesquisadores e militantes do movimento social negro local e nacional sobre o racismo vivido no cotidiano das escolas e da sociedade. São falas contundentes que, ao mesmo tempo em que desmistificam o mito da democracia racial e das teorias de embranquecimento presente no imaginário social, desvelam o racismo.
Esta é uma produção que afirma positivamente a identidade negra e propõe novos caminhos para a superação do preconceito, a começar pela educação. O material é utilizado nas ações da Ceafro para formação de professores do sistema municipal.
O projeto, que conta com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino – FNDE e do próprio município de Vitória, foi realizado sob a orientação da Comissão de Estudos Afro-brasileiros – CEAFRO da Secretaria Municipal de Educação. Acompanha o vídeo um caderno de estudos elaborado pela Comissão em parceria com os diretores do documentário, objetivando fornecer fundamentação teórica as discussões a respeito do tema. A Secretaria Municipal de Educação utilizará o vídeo na formação de seus professores, como parte de um projeto de aquisição de materiais didáticos voltados para a implementação dos estudos étnico-raciais nas escolas.
Fórum Municipal de Educação Afro-brasileira
A Ceafro promove o Fórum Municipal de Educação Afro-brasileira que tem por objetivo proporcionar semestralmente um espaço de diálogo e aferição das ações desenvolvidas pela Comissão de Estudos Afro-brasileiros (Ceafro) e definir temas para aprofundamento teórico sobre as questões das relações raciais e sobre a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.