Museu de São Benedito do
Rosário
Márcia Brito
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Carlos Antolini |
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Um dos quadros do
santo |
O
Museu de São Benedito do Rosário está aberto ao público.
As visitas podem ocorrer das 9 às 12 e das 14 às
17 horas, de terça-feira a domingo. No
local podem ser vistas peças datadas desde a época da fundação
da Igreja do Rosário, em 14 de setembro de 1765. Estão em exposição
peças como réplicas do andor de São Benedito; imagens; baús
em madeira e latão; conjunto de velas de 1,50 metro usadas em
procissões; quadros antigos de São Benedito e dos primeiros
bispos do Espírito Santo; manequins modulados representando
uma procissão; estrados em varas armado com pálio (que carrega
o Santíssimo), etc.. Informações pelos telefones (27) 9962-1418/3222-0387/3235-7444.
O
Museu de São Benedito do Rosário, que está situado na Rua Pereira
Pinto, s/n, Centro de Vitória, foi inaugurado no dia 30 de setembro
de 2003. O evento fez parte das comemorações dos 452 anos da
Capital.
A Igreja do Rosário
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Carlos Antolini |
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Fachada da igreja |
A
Igreja do Rosário foi edificada a partir de 1765 pela Irmandade
de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em terreno doado na
então chamada encosta do Pernambuco, perto do Morro do Vigia.
A primeira capela foi ampliada para melhor abrigar os fiéis
e as atividades das suas irmandades. Até meados do século XX,
além da Irmandade de São Benedito do Rosário, que sucedeu a
primeira, duas outras tinham sua devoção também na Igreja: a
de Nossa Senhora das Candeias e a do Menino Jesus de Nossa Senhora
do Rosário.
A
arquitetura da Igreja do Rosário, assim como os altares da nave e as
principais imagens de santos são expressões do estilo barroco,
característico da arte religiosa do Brasil-Colônia no século XVIII.
A decoração em estuque data, provavelmente, do século XIX, época das
ampliações da área da sacristia, com a construção do segundo
pavimento. Em 1911, a capela-mor foi reformada e o altar principal
substituído pelo atual, em linhas retas e decoração ao gosto
moderno. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi tombada como
patrimônio histórico nacional em 1946. Foi restaurada em 1967 e
depois em 1995 e 1997.
O antigo cemitério
A
Irmandade de Nossa Senhora do Rosário edificou seu cemitério junto à
Igreja - com túmulos e ossuários, para os quais eram transferidos os
restos mortais sepultados. Era a garantia de sepultamento para os
irmãos negros escravos. O antigo cemitério permaneceu acolhendo os
irmãos de São Benedito até 1912, quando foi desativado e transferido
para o bairro Santo Antônio.
A devoção a Nossa Senhora do Rosário
Divulgada no Brasil desde o início do século XVI, N.S. do Rosário
foi a mais popular das invocações de Maria entre os negros da
Colônia. Foi escolhida como orago de muitas confrarias e irmandades
criadas para promover a alforria dos irmãos escravos e garantir
sua sepultura em solo sagrado. As festas em sua honra incluíam
expressões culturais como o reisado e o congo, além de outras
evocações à África. Como padroeira, sua devoção passou a ser
associada à de São Benedito, introduzida no Brasil pelos frades
franciscanos.
| Carlos Antolini |
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Imagens de Santo Elesbão e Santa Efigênia estão no
acervo |
São Benedito
Descendente de negros etíopes escravos, nasceu na Sicília, em
1526, e foi criado na fé cristã. Tornou-se irmão leigo franciscano e
entrou, como cozinheiro da Ordem, num convento em Palermo, onde
depois se tornou superior e mestre dos noviços, Foi beatificado em
1763 e canonizado em 1807. Sua devoção no Brasil data do século
XVIII, estando em muitas igrejas por todo o litoral e nas regiões de
mineração. Passou a ser venerado na Igreja do Rosário de Vitória em
1833.
A Irmandade de São Benedito do Rosário
Criada no ano de 1888, com 682 irmãos, a Veneranda
Arquepiscopal Irmandade de São Benedito do Rosário, atualmente,
conta com 352 membros. Além da Igreja, sua casa de devoção, a
irmandade oferece ainda hoje o histórico benefício do sepultamento
aos irmãos de São Benedito. Sucedeu à antiga Irmandade de Nossa
Senhora do Rosário. Sua diretoria é composta do provedor, tesoureiro
e secretário, eleitos em assembléia.
O Museu
O
Museu de São Benedito do Rosário expõe um acervo de peças da
Irmandade que guarda parte importante de sua memória. Alterados os
costumes e a vida da cidade, ficaram os objetos, as lendas e as
lembranças que explicam as tradições. São andores e imagens de
santo, oratórios, paramentos e objetos litúrgicos usados pelos
padres nas missas e festas, o mastro e a bandeira, os estandartes, a
formação da procissão, livros de registro, partituras da extinta
filarmônica Rosariense, baús e caixas de guardados...
A Festa de São Benedito
No
dia 27 de dezembro, Vitória festeja São Benedito com missa,
procissão e foguetório. Antigamente, as festas começavam no domingo
antes do dia 25 de novembro, dia de Santa Catarina, com a coleta do
mastro que ia a leilão para custear as festas de São Benedito. No
dia da santa acontecia a famosa regata dos pescadores em suas canoas
a remo, azuis e verdes, numa disputa entre os peroás da irmandade do
Rosário e os caramurus do Convento de São Francisco. Depois tinha a
fincada do mastro no adro do Rosário, com a bandeira de São Benedito
no alto. As festas em dezembro duravam três dias. com apresentações
da Filarmônica Rosariense, bandas de congo, as missas e, finalmente,
o ponto alto; a procissão.
A Procissão de São Benedito
Sempre às 17 horas do dia 27 de dezembro, a procissão desce a
Escadaria do Rosário com o Guião e o estandarte de S. Benedito à
frente, seguido da Diretoria da Irmandade empunhando suas varetas de
prata. Os irmãos seguem em duas alas, usando os distintivos da
irmandade: as mulheres, hoje sobre roupa branca, trazem a fita roxa
com a medalha de S. Benedito e N. S. do Rosário ao peito; os homens
usam a opa roxa sobre veste bege.
Todos
carregavam tochas acesas, atualmente substituídas por velas. Segue
então o santo, carregado pelos devotos do povo - que se alternam na
função devido ao peso do andor, sempre enfeitado com rosas
vermelhas. Fechando o cortejo, a Banda da Polícia Militar substitui
a antiga Banda Rosariense. Em seu percurso, a procissão vai pela rua
do Rosário, pega a Graciano Neves, vai até a Fonte Grande onde é
festejada com o foguetório, e segue para a Catedral, onde é
celebrada a missa em louvor a São Benedito. De volta ao Rosário,
acontece a recepção do santo, onde os fiéis disputam as flores do
seu andor.
O Foguetório e a Lenda das Lavadeiras
Conta
a lenda de que as lavadeiras da Fonte Grande fizeram promessa a São
Benedito para que o santo voltasse a fazer verter água da bica que
secara. Como pagamento, festejariam o santo com foguetes na passagem
da procissão. Graça alcançada, essa é a origem do foguetório na
procissão.
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