II Festival Nacional de Monólogos

Márcia Brito

Fotomontagem Nelson Nunes

Casa lotada é a melhor definição que um bom espetáculo pode ter. Nos seis dias em que Vitória foi sede do II Festival de Monólogos - Prêmio Cidade de Vitória, que ocorreu de 29 de setembro a 05 de outubro de 1999, o público capixaba não agraciou somente uma apresentação com o aplauso. Praticamente todos os espetáculos foram reconhecidos pelo talento e pela presença maciça em todos os dias, principalmente o público jovem.

Foram cerca de 400 pessoas assistindo aos monólogos em dias de competição. Nas apresentações nacionais, o público que queria ver Antônio Nóbrega e Clarice Abujamra, respectivamente com os espetáculos Sol a Pino e A Maçã de Eva, superou o dos dias habituais, chegando a 500 pessoas.  Os grandes vencedores foram os monólogos Ita, o Sonado e Dionisos, o Grande Grito. O júri popular escolheu Lugar de Mulher... como o melhor espetáculo. Vicente Fantin, escolhido o melhor ator, é capixaba, e ganhou o prêmio pelo monólogo paulista Ita, o Sonado.

Os vencedores das categorias de Melhor Espetáculo, Melhor Intérprete e Melhor Diretor, receberam também um prêmio em dinheiro, no valor de R$ 700,00 (setecentos reais). Todas as categorias receberam o Trófeu Cidade de Vitória.

Segundo a então secretária de Cultura, Cláudia Cabral, o festival de 1999 foi superior ao de 1998, sem desmerecer o começo. "A tendência é mesmo esta, a de melhorar cada vez mais, devido à produção e aos espetáculos participantes, que vieram de vários estados do país devido à intensa divulgação, inclusive pela Internet".

Cláudia apontou ainda a participação do público jovem na platéia como o início certo de uma das propostas do Festival: a de formação de público. "A Secretaria de Cultura, organizadora do evento foi muito feliz na escolha dos espetáculos nacionais, desmistificando também a imagem 'errada' do monólogo, como sendo chato, sendo que este tipo de apresentação é uma tendência junto a vários artistas renomados como Diogo Vilela, Raul Cortez e Luiz Mello, dentre muitos outros".

A realização do evento neste ano é continuidade do trabalho de incentivo e apoio às artes cênicas desenvolvido pela Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. Além do Festival, que em sua primeira edição, em 1998, teve casa lotada todos os dias, a Prefeitura apóia financeiramente a montagem de espetáculos por meio da Lei Rubem Braga e mantém a Escola de Teatro e Dança Fafi.

Escolha

As apresentações de monólogos ocorreram no Teatro Carlos Gomes e, na Escola de Teatro e Dança Fafi. Os espectadores foram convidados a votar para a escolha do MELHOR ESPETÁCULO (JÚRI POPULAR), sempre após a apresentação de cada espetáculo,em cédula que depositada em urna no hall do Teatro Carlos Gomes.

As urnas foram recolhidas diariamente. Na cédula, os espectadores tiveram cinco opções para votar: Ótimo, Bom, Regular, Ruim e Péssimo.

A estas categorias foram atribuídos os seguintes valores para o cálculo da pontuação de cada espetáculo: Ótimo - 100 pontos; Bom - 80 pontos; Regular - 60 pontos; Ruim - 40 pontos; Péssimo - 20 pontos

De modo a compensar a diferença no número de votantes para cada espetáculo, a pontuação foi calculada pela seguinte fórmula: Todos os votos dados ao espetáculo foram somados, de acordo com a pontuação acima, e o resultado da soma foi dividido pelo total de votos dados ao espetáculo. Votos Nulos e em Branco foram desconsiderados.

Deste modo, independente do número de votantes de cada espetáculo, a pontuação máxima foi 100 (caso todos os votantes o considerem ótimo). Foi vencedor o espetáculo com maior número de pontos.

Categorias - Vencedores em 1999

Melhor Espetáculo - Ita, o Sonado (São Paulo - SP)

Melhor Intérprete - Vicente Fantin (por Ita, o Sonado)

Melhor Diretor - Ricardo Guti (por Dionisos, o Grande Grito, de Brasília - DF)

Melhor Cenário - Dionisos, o Grande Grito  (Brasília - DF)

Melhor Iluminação - Ita, o Sonado (São Paulo - SP)

Melhor Figurino - Dionisos, o Grande Grito (Brasília - DF)

Melhor Espetáculo (Júri Popular) - Lugar de Mulher (de Divinópolis, Minas Gerais)

Júri Oficial

Beth Caser

Branca S. Neves

Celso Adolfo

Luis Claudio Gobbi da Silva

Rodrigo Prado

Festival de Monólogos

Trabalhos vencedores em 1999:

Ita, o Sonado
Artista: Trupe Vermelha - Núcleo de Criação e Pesquisa Cênica - Vicente Fantin
Procedência: São Paulo- SP
Diretor: Diógenes C. Feliciano
Autor: Diógenes C. Feliciano
Sinopse:
"A peça retrata a sina de Ita, um homem brasileiro que, como tantos outros, passa pelo corredor das dificuldades sociais desde a infância. Esmurrando a vida e buscando a sobrevivência na porrada. Se encontra no esporte apropriado - o Boxe - e se torna um sonado. O espetáculo se desenvolve numa clínica onde um terapeuta recupera Ita. O momento é o da "ferida cutucada' e Ita está sobre o domínio da reminiscência. Afloram todos os pesadelos. Toda sua vida e seus sonhos."

Dionisos - O Grande Grito
Artista: André Amaro
Procedência: Brasília - DF
Diretor: Ricardo Guti
Autor: Beatriz de Paoli
Sinopse:
"Um espetáculo que pretende estabelecer um circuito contínuo de impulsos encorajadores entre os espectadores de uma platéia supostamente oprimida. Dioniso indica a loucura como um caminho da liberdade, traçado através da espontaneidade, da dança, do grito, do prazer, do êxtase, da música, da palavra e do corpo. Concentra-se no ator de modo a valorizar a interpretação como elemento fundamental de toda ação ou idéia teatral. O texto trata de um homem comum que, aos poucos, transforma sua dor em loucura, em exercício de liberdade e prazer, depois de perder um grande amor e constatar as armadilhas criadas ao longo de sua vida pelas lições católicas, pela realidade moral imposta na infância e pelas ilusões das compensações e dos vícios que anestesiam a vida."

Lugar de Mulher...
Artista: Cláudio Ramos
Procedência: Divinópolis- MG
Diretor: Cláudio Ramos
Autor: Cláudio Ramos
Sinopse:
"O espetáculo é uma comédia inteligente, sem grosserias ou apelações, que satiriza o machismo de forma sensível e sutil. Reúnem em cena donas de casa, três Marias, dividindo o espetáculo em quatro quadros:
Sua Batata está Assando - Retrata a Maria submissa, que questiona seu relacionamento com o marido depois de se apaixonar platonicamente por um feirante. Ela resiste ao possível envolvimento em nome da estrutura familiar.
Odeio Iguabinha - Apresenta a Maria socialite emergente malhando numa academia de ginástica e disposta a conhecer a amante do marido. Entre um exercício e outro, ela lembra da infância hilariante e das muitas desventuras em Iguabinha.
Rodízio de Chuchu - Mostra outra Maria muito bem humorada. É a típica interiorana casada com um português, sem vida sexual, mas totalmente dedicada à família. Enquanto passa roupa, ela conversa com o locutor de seu programa de rádio preferido.
Todas as Marias do Mundo - Homenagem à mulher com um poema que enaltece a figura feminina, encerrando o espetáculo com carinho e respeito. 

 

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