O Mercado da Capixaba

Márcia Brito

Elizabeth Nader/Arquivo

O antigo prédio do mercado

Projetado por Joseph Pitilick e construído para substituir o antigo mercado municipal, que não mais preenchia as necessidades da Capital, foi inaugurado em 1926 na mais nova avenida, que começava a adquirir seu caráter comercial, a avenida Capichaba (daí o nome do Mercado da Capichaba, com "ch"), atual Jerônimo Monteiro. Nessa época, o mar batia próximo de sua fachada posterior onde havia um atracador para pequenas embarcações que traziam os produtos frescos.

O Mercado da Capixaba ocupa uma quadra inteira, situando-se a parte edificada somente na periferia do lote, de modo a formar um pátio central. Na época de sua construção, o mercado tinha quatro acessos, um em cada fachada. Hoje os acessos das ruas laterais encontram-se bloqueados.

O prédio, de dois pavimentos, tinha como principal função o abastecimento de gêneros alimentícios para a cidade, porém abrigava em seu pavimento superior um hotel de propriedade particular. Do lado da Avenida Jerônimo Monteiro está a fachada principal, consequentemente, a mais ornada.

O mercado funcionou até a década de 1960, quando houve a construção do Mercado da Vila Rubim, em bairro periférico do centro. Assim, o Mercado da Capixaba começou a mudar de uso, abrigando no pavimento térreo bares, açougues, depósitos e comércio varejista. O mesmo aconteceu com o pavimento superior, que foi sede da Rádio Espírito Santo, com seu concorridíssimo programa de auditório. Em 1996, seu pavimento superior passou por ampla recuperação para ali instalar-se a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

O Mercado da Capixaba, tombado em nível estadual, representa o estilo vigente da época, o eclético. Neste novo referencial arquitetônico de origem européia, as fachadas passam a ter valor decorativo, exaltando a edificação. Comparando-se essa edificação com duas outras construídas na mesma época, Escola de Teatro e Dança Fafi, o edifício dos Serviços de Melhoramentos de Vitória, atual Museu de Artes Plásticas, nota-se elementos em comum nas fachadas, como, os ornamentos nos frisos e na platibanda, além da simetria rigorosa nas mesmas.

Fonte: Simone Cypreste Santos, no livro Mercado da Capixaba : uma questão de intervenção, de 1994.

O Mercado da Capixaba - Histórico 2

Iniciado em 29 de maio de 1925 e inaugurado em novembro de 1926 para servir de Mercado Municipal, foi uma das importantes obras do governo Florentino Avidos (1924/28).

Em estilo eclético/neoclássico, o edifício possui planta ligeiramente trapezoidal, amplo pátio com 4 acessos (os dois laterais atualmente estão fechados), e marcações em relevo na fachada. Possui frontão que marca o acesso "principal" para a Av. Jerônimo Monteiro. Em sua fachada oposta (atualmente voltada para a Av. Princesa Isabel) era feito o abastecimento do mercado, uma vez que o mar chegava bem próximo à construção e existia ali um pequeno atracadouro para as embarcações.

No pavimento superior funcionou o "Hotel Avenida", inaugurado juntamente com o mercado, de propriedade da firma Maliseck e Cia. Dispunha de 20 quartos "bem arejados, sóbria e confortavelmente mobiliados, perfeitamente aparelhado a bem servir a quantos desejassem, em Vitória, uma boa hospedagem". (*)

Nesse momento, a avenida Capichaba (atual Jerônimo Monteiro) já apresentava amplo caráter comercial, possuindo várias edificações importantes, como a sede da Cia de Melhoramentos de Vitória, da Faculdade de Filosofia, além de bares, cafés, magazines e teatros.
O pavimento térreo funcionou como local de abastecimento alimentício da cidade, com barracas de verduras, legumes, peixes e carne em seu pátio central aberto e a comercialização de "secos e molhados" nas lojas que possuíam acesso tanto para a rua quanto para o referido pátio. Na década de 1960, com a construção do Mercado da Vila Rubim, o mercado deixou de desempenhar sua função original, começando a mudar de uso.

Nessa época, as esquadrias que abriam para o pátio interno foram todas fechadas.
Em 1996, seu pavimento superior passou por ampla recuperação para ali instalar-se a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Em outubro de 2002, sofreu um incêndio que destruiu toda a sede da Secretaria.

Trata-se de uma das mais expressivas edificações da década de 1920, período de muitas transformações arquitetônicas e urbanísticas em Vitória.

Fonte: Dados do Conselho Estadual de Cultura
Revista "Vida Capixaba" nº 81 (1926) (*)
Jornal "A Tribuna" - 30/03/75
"Jornal da Cidade" - 08/10/80

 


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