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consciência da parceria com a arte
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Cézar
Naime e Graciano: ajuda à revitalização
do Centro da Capital
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"Gosto das pessoas que lidam com a arte. São pessoas
que merecem apoio", afirma o senhor Cézar Naime, com
80 e alguns anos, como ele mesmo descreve, ao explicar porque
ele e sua família resolveram ceder o primeiro piso de
sua loja, a Flor de Maio, na Praça 8 de Setembro, para
sediar o I Salão de Arte de Vitória, que tem início
nesta quinta-feira, dia 5 de setembro, a partir das 20 horas.
A
loja é gerida pelo senhor Cézar, que mantém
as características físicas do estabelecimento,
(re) construída em 1935, a partir de projeto do construtor
André Carloni.
Hoje,
recuperada em seu aspecto original pelas mãos de jovens
selecionados pela Casa do Adolescente Trabalhador, formados
pela Escola Municipal Profissionalizante de Artes e Ofícios
(Empao), através de convênio entre a Prefeitura
de Vitória e a Companhia Siderúrgica de Tubarão
(CST), coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento da Cidade
e Administração Regional do Centro e o apoio do
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan), do Centro Federal Tecnológico do Espírito
Santo (Cefet) e do Centro de Integração Escola-Empresa
(CIE-E), o prédio traz à tona várias lembranças.
"Este
projeto da Prefeitura de Vitória é importante
para preservar a memória da cidade para gerações
futuras", opina o senhor Cézar, que conta que políticos
ilustres estiveram no local e passaram, de geração
a geração, o hábito de comprar os artigos
comercializados na loja, mesmo quando ela se situava em outro
prédio, onde hoje é o Hotel Cannes, no Centro.
"O ex-deputado estadual Otaviano Santos, tio-avô do prefeito
Luiz Paulo Vellozo Lucas e avô da secretária de
Cultura, Luciana Vellozo Santos, era um cliente assíduo,
comprava muitos chapéus aqui, assim como o sobrinho-neto
faz agora ", revela, lembrando que outros clientes são
o senador Gerson Camata e o ex-governador Vitor Buaiz. Uma curiosidade
é que a clientela atual é formada por jovens e
muitos, quando entram na loja, sempre comentam que seus pais,
tios e avôs compravam chapéus e malas no local.
"Conheço muitos clientes desde crianças", fala
o senhor Cézar Naime.
Passado
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Flor de Maio é indicada pela seta retorcida
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loja Flor de Maio, onde hoje é o Hotel Cannes, foi fundada
em 23 de dezembro de 1895 (data considerada pelo livro de registro
pessoal do proprietário), na Rua da Alfândega,
nš 3, atualmente avenida Jerônimo Monteiro. O fundador,
Nametalla Paulo Couri chegou ao Brasil vindo do Líbano,
da cidade de Gazir. Ele iniciou o comércio em Vitória
em 1895 e, posteriormente, seu irmão, Fadalla Paulo Couri,
pai do senhor Cézar Naime, formou a sociedade comercial.
Até 1902, a loja se chamava Namitalla Paulo & Irmão.
Só neste ano deram-lhe o nome de Flor de Maio, sem um
motivo especial, afirma Naime, que assumiu a loja em 1946.
O
prédio atual foi comprado em 1928, e tinha na época
dois andares - o térreo e o primeiro andar - com assoalho
de madeira. Entre os anos 1910 e 1920, no local funcionou um
bar no térreo, chamado Café e Bar Rio Branco.
No espaço foi criado também o Clube Sírio
Libanês e a primeira Igreja Maranata de Vitória.
Nos anos de 1933 e 1934, o antigo prédio foi reconstruído
em cimento e concreto, ficando com a fachada atual, que dá
para a Praça 8 de Setembro, e expressa as mudanças
estilísticas da época - a transição
do ecletismo (estilo que se mantém em sua fachada tornada
"fundos", na Rua Duque de Caxias) para o modernismo - que alguns
autores denominam proto-modernismo. Foram aproveitadas as antigas
paredes do térreo e do primeiro andar que tinham 80 centímetros
de largura, feito de tijolos e pedras.
Com
menos adornos, mas com forte impacto visual, o proto-modernismo
traz consigo inovações tecnológicas, como
a utilização em larga escala do concreto armado.
No revestimento da fachada, um produto que dispensava pintura
e pó-de-pedra.
Em
1935, depois de pronta a loja Flor de Maio, que estava estabelecida
na avenida Jerônimo Monteiro, nšs 1 e 3 da época,
onde está atualmente o hotel Cannes, foi transferida
a seção de calçados, chapéus e bengalas
e a camisaria para o local, onde está até hoje,
diz o sobrinho de Cézar Naime, Graciano Ulisses Merlo.
Atualmente
são vendidos no local artefatos de couro, malas, artigos
de viagem, cintos, sombrinhas, guarda-chuvas, etc, e as compras
são feitas de fornecedores do Rio de Janeiro, São
Paulo, Curitiba, Paraná e Rio Grande do Sul, entre outros.
Os herdeiros são os sobrinhos e irmãs do senhor
Cézar, que, com a demonstração de amor
à arte, já determinou que sempre que possível
cederá um espaço em sua vitrine para exposições.
"Quero ajudar na revitalização do Centro de Vitória",
conclui.
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