Arte Naif Capixaba na Casa Porto

Márcia Brito

A Prefeitura de Vitória, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura, realiza na Casa Porto das Artes Plásticas a exposição Arte Naif Capixaba, com obras de 16 artistas capixabas e mais dois convidados e curadoria de Renato Saudino. A exposição foi aberta no dia 16 de agosto e pode ser visitada até o dia 30 de outubro de 2004.

A Casa Porto das Artes Plásticas apresenta a exposição Arte Naif Capixaba, com curadoria de Renato Saudino. Serão expostas obras dos capixabas Alcides, Angela Gomes, Dileta, Dubu, Elpídio Malaquias, Erminda Breda, Francisco Schwarz, Isabel Braga, Joana D'arc, Lucy Aguirre, Luiz Natal, Majory, Nice, Reuto Fernandes, Rômulo Cardoso e Vaninho e dos artistas convidados Berenice Viana e Rosindo Torres.

Divulgação
Obras de Angela Gomes, Reuto Fernandes, Lucy Aguirre e Natal

Berenice Viana e Rosindo Torres participam com instalações que estabelecem um diálogo entre a sua produção pessoal e a maneira de ver o mundo pelo artista naif. São artistas contemporâneos com estilos fundamentados na academia com referências à produção dos pintores em exposição realizando em três dimensões as idéias bidimensionais da pintura.

A exposição é dividida em dois momentos, em terra e céu. Na terra, está a natureza, o homem, seu trabalho e lazer e no céu a religiosidade e as festas relacionadas à fé. Naif Capixaba é um panorama da produção desses artistas mostrando seus vários aspectos da cultura do Espírito Santo.

Segundo o administrador da Casa Porto das Artes Plásticas, Celso Adolfo Salles Ramos, há uma característica básica na arte naif, a pureza. "São registros de momentos, muitas vezes reinventados, sem regras nem constrangimentos, numa celebração onírica do visível e do invisível da natureza. Para além de qualquer ismo, simplesmente por ser pura, espontânea".

A secretária municipal de Cultura, Luciana Vellozo Santos, ressalta: "Esta é uma arte que muito mais que agrada aos olhos, conquista pela alma, porque apresenta justamente aquilo que já nos falta nos dias de hoje, simplicidade e espontaneidade".

Enquanto arte, " Naif " é a arte do espontâneo, da criatividade autêntica, do fazer sem escola nem orientação, do puro instinto, revelando o universo particular do artista. Tem como fonte de inspiração a iconografia popular, o cotidiano, a natureza. Resgata sempre uma referência cultural. Um registro puro, autêntico, desprovido de requintes técnicos ou textos explicativos. Arte que encerra em si sem significado.

Devido à coreografia, política e cultural, o Brasil é um celeiro da arte Naif. Seus artistas estão nas maiores coleções e museus do gênero e de arte moderna - escola que mais aproxima.

"Os pintores Naif representam os últimos ecos da alma coletiva em vias de desaparecimento", comenta o psicanalista Carl Jung. Para o colecionador e diretor do Museu Internacional de Arte Naif (Mian) do Rio de Janeiro, Lucien Finkelstein, afirma com plena convicção que "fora de nossas fronteiras, os pintores Naif do Brasil são autênticos porta-bandeiras da pintura brasileira de todas as tendências e de todas as épocas".

Neste cenário têm espaço garantido os artistas Naif capixabas, que vêm recebendo destaques em mostras e bienais no Brasil e exterior, e atenção de crítica especializada.




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