Ministro da Cultura assina cessão da
Casa Porto das Artes à Prefeitura

Márcia Brito

Carlos Antolini
 
 
Luiz Paulo com o ministro Gilberto Gil
 

Com a presença de autoridades e políticos foi assinado na quinta-feira (05 de agosto de 2004), no Laboratório de Artes Cênicas da Escola de Teatro e Dança Fafi, o contrato de Cessão de Uso da Casa Porto das Artes Plásticas, por 10 anos, entre a Gerência de Patrimônio da União e a Prefeitura de Vitória, com a presença do Ministro da Cultura, Gilberto Passos Gil Moreira.

"A assinatura encerra uma batalha pela destinação do prédio para a instalação da Casa Porto das Artes Plásticas. Nessa luta, o ministro e seus assessores, em especial Sérgio Sá Leitão, foram parceiros da Prefeitura de Vitória e do Sindicato dos Artistas Plásticos do Espírito Santo, e protagonistas dessa vitória", afirmou a secretária municipal de Cultura, Luciana Vellozo Santos.

Com uma analogia entre cultura e natureza, bem ao seu gosto, Gilberto Gil, descreveu o esforço dos gestores públicos, a exemplo do que ocorre em Vitória, para que lutem por alternativas que dêem impulso à cultura. "A navegação é importante na história da humanidade. O barco, sem o vento, não vai a lugar algum, mas uma bússola também é imprescindível".

Carlos Antolini
Gilberto Gil assiste a aula de dança

Ao visitar a Escola de Teatro e Dança Fafi, o ministro conheceu as instalações e até acompanhou momentos de uma aula de dança do instrutor Renato Santos. Estiveram presentes à solenidade no Laboratório de Artes Cênicas da Fafi, o prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas; o vice-prefeito Ademir Cardoso; Luciana Vellozo Santos, secretária municipal de Cultura; Edmar Fraga Rocha, gerente regional da Secretaria de Patrimônio da União; Neusa Mendes, secretária de Cultura do Estado, e o presidente da Assembléia Legislativa Cláudio Vereza, dentre outras autoridades.

"Esse ambiente de colaboração entre os governos municipal, estadual e federal em favor da ampliação do acesso ao conhecimento artístico-cultural, da ampliação das oportunidades para todos em conhecer e fazer arte, espelha a importância que esta administração reconhece nas políticas culturais e o empenho do ministro Gil na construção de uma Política Nacional de Cultura", ressalta o prefeito Luiz Paulo.

Convênio

Um convênio entre a Prefeitura de Vitória e a Fundação Promar visa a captar recursos para o projeto Casa Porto das Artes Plásticas, para restauração do prédio onde funcionava a antiga Capitania dos Portos do Espírito Santo, localizado na praça Manoel Silvino Monjardim, início da av. Jerônimo Monteiro, região do Centro. O projeto está orçado em R$ 1.279.638,63, sendo submetido à aprovação da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O projeto prevê a restauração e adaptação do antigo edifício da Capitania dos Portos do Espírito Santo para o funcionamento da Casa Porto das Artes Plásticas. A obra criará condições plenas para a efetiva utilização do espaço como bem cultural e será realizada no período de 12 meses, compreendendo os serviços de restauração da edificação existente, com área de 410m², e construção de um pequeno anexo, com área de 183m², totalizando ambos 593m².

Histórico

Arquivo/Elizabeth Nader

O prédio foi construído em 1903 para servir de residência do casal Dr. Manoel Sivino Monjardim e D. Ursulina Guaraná Monjardim. Filho do Barão de Monjardim, Dr. Manoel era natural da capital, tendo sido clínico de grande reputação em todo o Estado do Espírito Santo e por muitos anos médico da Estrada de Ferro Vitória Minas. Além destas funções, foi ainda Vereador, Deputado Federal e Senador, tendo falecido no Rio de Janeiro em 1966.
Na década de 20, a edificação serviu de residência particular de Antônio Pereira Lima, Prefeito de Vitória de 1920 à 1924. Com a mudança deste, o prédio foi alugado para a Capitania dos Portos do Espírito Santo, que, em 9 de Novembro de 1967, adquiriu o imóvel pela quantia de cinqüenta e três mil, seiscentos e trinta e oito Cruzeiros Novos e noventa centavos (NCr$ 53.638,90). Por trinta e um anos o prédio abrigou a sede da Capitania dos Portos do Espírito Santo, que, em 1998, se transferiu para a Enseada do Suá.
Em Setembro de 1999, a edificação foi emprestada pela Capitania dos Portos do Espírito Santo à Prefeitura de Vitória para realização da exposição comemorativa dos 448 anos da cidade de Vitória. Esta mostra foi o marco inicial de grandes exposições neste novo espaço cultural o que será consolidado com a instalação da Casa Porto das Artes Plásticas, criada pela Lei nº 5.162/2000.
Os diversos usos da edificação, como residência das famílias do Barão de Monjardim e do Prefeito de Vitória e como sede da Capitania dos Portos revestiu o prédio de uma importância cultural que transcende a sua própria relevância como exemplar da arquitetura eclética típica do início do século passado. O prédio tornou-se um marco do Centro da Capital e testemunha das grandes transformações urbanas da cidade, como a criação, neste período, da "esplanada capichaba" (com ch de acordo com a grafia do início do século), atual Avenida Jerônimo Monteiro, um dos mais importantes corredores de trânsito da cidade.

Quanto à utilização dos espaços, prevê-se: edificação existente - 1º Pavimento - Ateliê de Artes; - 2º Pavimento - salas de exposições, miniauditório, biblioteca, sala de leitura e de oficinas; anexo a ser edificado - 1º Pavimento - Lojinha "Bazartes" e Bar-Café; - 2º Pavimento - sala técnica e de curadoria, sala de higienização/reserva técnica, camarim, área de serviço, copa; área externa - jardins e espelho d'água.

A equipe de arquitetos da Prefeitura de Vitória que desenvolveu o projeto arquitetônico é a seguinte: Autor - Arq. Clemir Regina P. Meneghel; Colaboração - Anna Karine de Queiroz Costa; Técnicos - Dárlen Machado Martins, Eduardo Cola, Manuela Miranda Caseli, Larissa Pacheco Bernardi e Kleber Brandão.

O público atingido diretamente pelo projeto compreenderá pessoas de todas as idades e níveis sociais, estudantes, professores e público em geral da comunidade do Espírito Santo, além de turistas em visita a Vitória e espera-se que a presença ao local atinja a 200 pessoas/dia e que as áreas de ateliê e de oficinas sejam freqüentadas por um número expressivo de artistas jovens ou já renomados.




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