Casa Porto das Artes expôs Heterodoxia
- Edição Vitória
Márcia Brito
A
Prefeitura de Vitória, por intermédio da Secretaria Municipal
de Cultura promoveu, de 31 de março a 22 de maio de
2004, na Casa Porto das Artes Plásticas, a exposição HETERODOXIA
- Edição Vitória. A mostra reuniu trabalhos de 26 artistas,
provenientes de dez Estados, capixabas e latino-americanos,
num panorama das questões manifestas na diversidade da produção
de arte contemporânea brasileira.
A mostra contou ainda com uma programação paralela
que buscou debater alguns caminhos da arte contemporânea.
A
exposição já havia sido exibida em Curitiba; São Paulo; Goiânia;
João Pessoa; Fortaleza; Florianópolis; e agora, Vitória, tendo
como organizador o artista plástico José Cirillo. Aqui ela
encampa artistas capixabas, levando-os a participar deste
circuito de arte contemporânea.
Os
artistas foram Caetano Dias (BA), Carlos Melo (CE), Divino
Sobral (DF), José Guedes (SP), José Rufino (PE), Marcelo Solá
(GO), Marcio Botner (RJ), Jorge Emanuel(RJ), Eliane Prolik
(PR), Enrica Bernadelli (RJ), Hilal Sami Hilal (ES), Orlando
da Rosa Faria (ES), José Cirillo (ES), Elisa Queirós (ES),
Elder Rocha (DF), Fabiano Gomper (PB), Vicente Melo (RJ),
José Patrício (PE), Pazé (SP), Shirley Paes Leme (MG), Walton
Hoffmann (RJ), Lívia Flores (RJ), Paulo Whitaker (SP). Além
dos artistas brasileiros participam da exposição a chilena
Josefina Guilisasti Gana, a peruana Patrícia Villanueva e
o cubano Julio Ruslán Torres.
O
objetivo foi o de revelar por meio desse conjunto heterogêneo
possibilidades de diálogos e de debates, de afinações e dissonâncias
entre as obras e, assim, traduzir plasticamente a existência
de diferentes "brasis" dentro do Brasil.
Foram
destaques da exposição as participações dos artistas Enrica
Bernadelli e Eliane Prolik, que estiveram presentes na edição
da Bienal Internacional de São Paulo (2002); José Patrício
e Divino Sobral, participantes da Bienal de Havana, em Cuba;
José Cirillo, participante da Bienal do Mercosul; e Fabiano
Gomper, que foi um dos ganhadores do III Salão Nacional de
Artes de Goiás, prêmio Flamboyant, e que será um dos representantes
brasileiros na próxima Bienal de Cuenca, no Equador, neste
ano em 2004.
Segundo a secretária municipal de Cultura, Luciana Vellozo
Santos, "Heterodoxia é uma exposição nômade que se
aloja, agora, na Casa Porto das Artes Plásticas, que se abre
para mais uma mostra na qual a linguagem visual transita entre
o real e o imaginário e onde a liberdade de expressão vem
à tona para ir de encontro com o espírito criativo".
Pluralismo
Heterodoxia origina-se da ação independente de artistas.
É uma prática de articulação de diálogos entre artistas e
de estabelecimento de conexões com instituições culturais,
visando à realização de exposições que dêem visibilidade à
riqueza da produção brasileira contemporânea. É um processo
curatorial elaborado por artistas.
Não
opera com um foco fechado, nem aspira delimitar um campo único
de interesse, mas, ao contrário, busca a multiplicação das
maneiras de ver e a abertura do leque de possibilidades das
linguagens visuais. É por isso que tem o compromisso com uma
visão panorâmica, reunindo posturas filiadas às mais diversas
tendências, enfatizando o pluralismo do nosso repertório artístico.
É
um mapeamento orgânico que se configura à medida que é tecida
a rede de relações entre artistas com bagagens, projeções
e linguagens diferentes, que vivem em cidades muito distintas,
e que sofrem influências de ambientes culturais de toda sorte.
Ela é uma ação em constante deslocamento. É uma mostra em
que artistas, obras e salas de exposição são cambiantes. É
nômade sua proposta itinerante pela amplitude territorial
interagindo com contextos regionais, na tentativa de descentralizar
e ampliar a política de exibição da produção brasileira.
Heterodoxia - Edição Vitória oferece a oportunidade
de traçar miríades de relações, afinadas ou dissonantes, entre
as obras de 26 artistas, e permite, a partir daí, chegar a
relações sobre os possíveis significados que essa produção
engendra. Nesta edição será iniciado um novo perfil para a
mostra que passará a contar, além da grande mostra coletiva
da diversidade poética das artes brasileiras, com pequenas
individuais que evidenciarão um conjunto de três artistas.

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