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Hífen
Este
sinal tem dez normas de utilização. Vamos
explicá-las rapidamente, uma por uma:
1 -
em compostos homogêneos (dois adjetivos): amarelo-claro,
luso-brasileiro. (dois verbos): corre-corre;
2 -
em nomes gentílicos e demais derivados de nomes próprios
e locuções: cabo-verdiano, santa-terezense;
3 -
antes de sufixos tupis e guaranis (gu)açu e mirim,
isso se o elemento anterior acaba em vogal acentuada graficamente
ou em vogal nasal: araçá-guaçu, capim-açu,
araçá-mirim. Ou então antes de mor:
altar-mor, guarda-mor;
4 -
nos nomes dos dias da semana: segunda-feira, quarta-feira;
5 -
nos compostos em que o primeiro é forma apocopada
ou verbal: bel-prazer, arranha-céu, vaga-lume;
6 -
em nomes de santos ou substantivos próprios compostos
tornados substantivos comuns: sancho-pança, santo-antônio,
dom-joão;
7 -
em combinações substantivas, quando o segundo
elemento for indicativo de tipo, forma ou finalidade: café-concerto,
escola-modelo, navio-fantasma;
8 - entre palavras que se unem para construir todo semântico
distinto dos valores semânticos dos componentes. Mas
quando conservam sua estrutura e acento: acaba-novenas,
espia-marés, amor-perfeito;
9 -
antes dos pronomes enclíticos e antes e depois dos
mesoclíticos: dize-me, dir-te-ei, far-se-lhe-á;
10 -
nas partições de vocábulos: tungs-tê-nio,
ins-tru-iu.
Hífen
e prefixos:
Como
norma fundamental, só admitem hífen elementos
morfologicamente individualizados, ou que tenham vida autônoma:
bem-me-quer, benquisto. Como norma secundária, exige
hífen a clareza ou a expressividade gráfica
para que se evite a leitura incorreta: bem-aventurado. Sem
hífen poderia ser bem-ma-venturado. Finalmente, exigem
hífen os prefixos tônicos, os acentuados graficamente
e os que têm evidência semântica especial:
sem-vergonha.
Prefixos
e elementos prefixados sempre seguidos de hífen -
além, aquém, recém, nuper, sem, grã,
grão, vice, vizo, sota, soto, co(m), ex, pós,
pré e pró. Há uma exceção:
pré-fixar (fixar previamente) e prefixar (colocar
um prefixo em alguma coisa).
Hífen
e nomes próprios:
Usam-se
nos seguintes casos: 1) elementos ligados por artigos, pronomes:
Trás-os-Montes, Não-me-Toque. 2) sendo o primeiro
elemento Grã-, Grão-: Grã-Bretanha,
Grão-Pará. 3) sendo primeiro elemento um verbo:
quebra-nozes; 4) correspondentes a nomes comuns hifenizados:
Todo-Poderoso; 5) combinações simétricas
indicando relação ou acordo: Brasil-Portugal.
Sem
hífen:
Não se usa hífen nestes casos: 1) uma
vez desaparecida a consciência da composição,
o que acontece quando um elemento perde seu acento próprio
ou não tem vida autônoma na língua:
aguardente, clarabóia, madrepérola. 2) quando
a aglutinação de prefixos se pode fazer sem
prejuízo da clareza ou expressividade gráfica
e sem induzir a leitura incorreta: aeroplano, megaevento,
bicampeão. 3) em quaisquer locuções:
onomásticas, substantivas, adjetivas, numerais, pronominais,
verbais, adverbiais, conjuntivas, prepositivas, interjetivas.
Para melhor entendimento, é preciso ter em mente
o seguinte: a diferença entre palavra composta e
locução é que a primeira possui unidade
semântica; seus componentes perdem o sentido individual
em proveito de um sentido grupal e muitas vezes figurado:
mãos-rotas, pão-duro. No caso da locução,
ela não forma um todo com perfeita unidade semântica,
pois cada elemento, apesar da associação,
guarda seu sentido individual e sua função
própria: anjo da guarda, de repente.
Hífen
estilístico:
O hífen é chamado de traço-de-união
oficial. Mas há o que se pode chamar de pessoal ou
subjetivo. Escritores recorrem a este sinal para transmitir
realidades, sensações e experiências
que as regras oficiais desconhecem. Não se pode ter
essas liberdades em textos comuns. Elas são permitidas
a muito poucas pessoas: Carlos Drummond de Andrade: a Maria-Que-Morreu-Antes;
Fernando Pessoa: mulher-todas-as-mulheres.
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