Com muita rima e musicalidade, vários grupos participam do lançamento do Projeto Hip Hop nas Escolas, nesta quinta-feira (21), que ocorre no auditório da Secretaria da Cidadania da Prefeitura de Vitória para os alunos e professores das escolas da rede pública municipal. O lançamento foi realizado no período da manhã e da tarde. Será novamente lançado à noite, a partir das 19h. O tema era dizer: “Não ao racismo”.
Samira Gasparini |
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O idealizador do projeto, que é da Nação Zumbi, Gilmar Martins Nunes, disse estar muito feliz com o resultado do evento, que lotou o auditório com alunos do ensino fundamental de Vitória. Ele - que é advogado e teve no hip hop a “saída” para seu sucesso como profissional e familiar - fez uma palestra sobre as principais leis que foram a favor do negro no Brasil, apresentando para os alunos uma versão crítica.
Durante o evento é sorteado o kit (CD e Cartilha), que, segundo Gilmar, será em breve distribuídos nas escolas como instrumento para trabalhar os quatro elementos: Heróis Negros; João Candido (o herói não reconhecido); Democratizando a cor na sociedade brasileira, afirmando uma identidade negra e os Quilombos, como organização de luta e direito.
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Mulheres
As meninas também se fizeram presentes nos grupos de hip hop com mensagens de valorização, a não violência sexual e doméstica e a auto-estima. Para a vocalista do Grupo Negritudeativa, Janine Netto, o projeto é super importante para que os jovens entendam que precisam lutar contra o racismo, tendo auto-estima.
“O Brasil finge que não é racista, mas é. O que o projeto mostra é a necessidade de encarar essa verdade e mudar esse posicionamento. A gente está vendo nesse evento que mais do que música e dança, as palestras e as história contadas mostram aos alunos que o negro, ainda, é descriminado no Brasil”, afirma Janine.
Dançar
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Dançar hip hop, realmente, não é para qualquer pessoa, mas quem se decide por esse ritmo precisa de muito ensaio e dedicação. E isso não falta para Gustavo Dantas, 17, que vem praticando o hip hop há cerca de um ano e meio. Ele que está no 3º ano quer fazer Ciência Biológica na Ufes e divide o tempo entre trabalho, estudo e treino.
Ele conta que começou a praticar pelo visual. “Minha mãe dizia que não sabia porque eu escolhia essas roupas, se eu não cantava e nem dançava. Como eu gostava muito do jeito de vestir, achei que poderia dançar.
Antes só podia treinar aos domingos, agora estou em um emprego melhor e posso treinar todos os dias”. Ele comentou, ainda, que o projeto vem em boa hora. “Na escola a gente tem oportunidade de mostrar que não existe diferença de cor”, disse Gustavo.
Educação
Para a professora do ensino especial da rede municipal de Vitória, Maria de Fátima Oliveira, o evento foi mais interessante do que previa. “Tinha uma outra idéia do que era, mas fiquei muito feliz com as mensagens das músicas que mostram aos alunos a importância de conquistar seus sonhos, honestidade, integridade entre outros”. Ela comenta, ainda, que o será mais fácil utilizar o hip hop como inserção nas escolas, por ser um ritmo conhecido pelos alunos.
Alunos
O comportamento dos alunos foi de muito entusiasmo. Eles vibraram com as danças, música e participaram de dinâmicas e palestras. Se para quem curte muito hip hop, como Jéssica Rodrigues Pinto, 14 anos, foi muito bom participar do evento, para quem não gosta “muito”, com Graziela dos Reis Martins, 14, participar teve momentos importantes. “Gostei da palestra do Gilmar, conhecer as leis, saber dos heróis negros, que a gente não conhecia. As duas amigas afirmam que, infelizmente, a violência e o racismo ainda existem nas escolas.
Gilmar informa que o próximo passo do Projeto Hip Hop nas Escolas será a apresentação e a discussão nas próprias unidades de ensino. Ele informa que estará fazendo contato e aguardando que as escolas se cadastrem, podendo fazer o pedido pelo telefone da Nação Zumbi (3032.4502). (Regina Freitas)
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