Histórias de violência doméstica se repetem na vida de inúmeras mulheres. Um misto de sentimentos de revolta, dor, angústia e insegurança rondam o universo feminino marcado pelo convívio com esse tipo de agressão. A Prefeitura criou, em agosto de 2006, o Centro de Atendimento às Vítimas de Violência e Discriminação – doméstica, de gênero, racial e por orientação sexual (Cavvid), com sede na Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid), em Itararé, onde quase 80% dos registros são de mulheres que decidiram denunciar o marido após apanhar anos a fio.
Vítimas contam seus dramas
"Cansei de levar soco no olho toda vez que ele bebia. Depois de 17 anos de casamento, três registros na Delegacia de Mulher, encontrei pessoas capazes de me ajudar e estou decidida a me separar. Estou mais segura com o apoio encontrado no Cavvid", disse a zeladora de condomínio Beatriz (nome fictício), 35 anos, moradora do bairro Bonfim, três filhos, que está passando pelo atendimento e comparecia pela segunda vez ao Centro.
Ela prossegue: "aqui as pessoas são muito atenciosas desde o primeiro contato, quando a gente chega para a denúncia cheia de inseguranças. Temos quase uma hora para falar sobre os problemas para a psicóloga e a assistente social. Os outros encontros são agendados após cada atendimento e isso agiliza. Hoje até ele (o agressor) veio para uma conversa a fim de saber se tem possibilidade de reconciliação. Mas eu não quero continuar naquela vida de sofrimento. Chega uma hora que cansa".
Agressões e ameaças sempre fizeram parte do relacionamento da funcionária pública Renata (nome fictício), 40 anos, de Mangue Seco, principalmente quando o marido chegava alcoolizado. Ela guarda sete boletins de ocorrência feitos na Delegacia da Mulher. "Sofri calada durante 13 anos e só agora resolvi denunciar, depois que ele me ameaçou de morte com um revólver, contou no primeiro dia em que buscou o apoio do Cavvid, em junho.
Agora ela já percebeu resultados positivos e relata: "há vários dias ele não me perturba mais. Não tem ligado para o meu celular. Ela destaca ainda: "quero que a minha história sirva de estímulo para outras mulheres que apanham dos maridos. É preciso denunciar e ir até o fim". (Janete Carvalho).
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