|
As Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) Tancredo de Almeida Neves, Neuza Nunes Gonçalves, Rita de Cássia Oiiveira e José Lemos de Miranda, todas localizadas na região da Grande São Pedro, realizam, nesta sexta-feira (27), das 7h às 17h, oficinas, apresentações culturais, vídeos, dança e teatro. As atividades dão início à "Campanha Gravidez na Adolescência" naquela região. Ao todo, serão realizadas mais de 30 oficinas nas quatro escolas.
A ação é uma iniciativa da Câmara Territorial de São Pedro – que é um mecanismo de integração e articulação das ações desenvolvidas pela administração municipal, por meio de suas secretarias, coordenadorias e regionais, no âmbito de um determinado território da cidade. Há poucos mais de um mês, por exemplo, a EMEF Tancredo Neves, em São Pedro III, conviveu com seis alunas grávidas.
A mais velha delas, com 16 anos de idade, e, a mais nova, com apenas 12 anos. Hoje, apenas duas dessas alunas ainda continuam freqüentando a escola em meio a fraldas, choros, mamadeiras e demais atribuições de mãe.
Falta de planejamento
Samira Gasparini |
.jpg) |
| Mães adolescentes da região da Grande São Pedro |
A gravidez na adolescência é, quase sempre uma gravidez não planejada e, por isso, indesejada. No Brasil, a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas que na década de 70. A grande maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras, nem emocionais, para assumir a maternidade e, por causa da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase todas abandonam os estudos.
A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias conseqüências para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão e de suas famílias. Desde 1970, a incidência de casos tem aumentado significativamente, ao mesmo tempo em que tem diminuído a média de idade das adolescentes grávidas. Na maioria das vezes, a gravidez na adolescência ocorre entre a primeira e a quinta relação sexual e elas procuram o serviço de saúde entre o terceiro e quarto mês de gravidez.
Realidade
De acordo com os dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), entre 2000 a 2007, é crescente o número de adolescentes menores de 15 anos que tiveram filhos. Em 2000, por exemplo, foram registrados 10 casos contra 32, em 2001, e 37 no ano passado. À medida que a idade sobe para a faixa etária de 15 a 19 anos esses números são ainda assustadores, chegando a ser 150 vezes maior. Em 2000, 185 adolescentes entre os 15 e 19 anos tiveram filhos; outras 196, em 2001; e mais 167 também se tornaram mães antes dos 20 anos de idade. (Rosa Blackman)
|