|
O abuso sexual contra crianças e adolescentes caminha lado a lado com a impunidade. “Em muitos casos os abusadores nem sequer são presos. Quando são, ficam até três anos na prisão e saem para continuar a propagação da pedofilia. A cadeia não serve como avaliação nesses casos”, disse o pediatra Lauro Monteiro, do Rio de Janeiro, que veio a Vitória falar sobre esse tabu que persiste na sociedade,durante o I Seminário Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. O evento encerra-se nesta quarta-feira (14), no auditório da Faculdade Estácio de Sá, em Jardim Camburi, com a constituição do Fórum Municipal de Enfrentamento à causa.
Ensinar a criança a se defender dos pedófilos é uma missão dos pais, segundo o pediatra Lauro Monteiro. Ele defende o cuidado constante, desde os 2 e 3 anos, quando deve começar o ensino sobre as partes intocáveis do corpo. “A genitália é da criança e ninguém pode mexer, é preciso reforçar a prevenção para que a criança saiba se defender desde cedo”, afirmou o médico que também é editor do site Observatório da Infância (www.observatoriodainfacia.com.br) e fundador da Associação Brasileira de Proteção à Infância e Adolescente.
Em Vitória o programa Sentinela (da Secretaria Municipal de Assistência Social), que atende crianças vítimas de violência sexual, registrou 112 casos em 2007. A faixa etária de 6 a 14 anos tem sido a mais vulnerável e as meninas representam 73% das crianças abusadas sexualmente, sendo o pai o agressor em 17% dos casos.
Este ano, o Sentinela registrou nos meses de janeiro e fevereiro, 14 novos casos. Em 71% dos fatos o abusador foi o padrasto, parente, vizinho ou conhecido. Isso reforça a idéia de que, na maioria dos casos, o abusador tem vínculo com a criança. Nesse período, em 71% dos casos, a criança tinha entre 7 e 10 anos.
Disque 100
O serviço gratuito pelo telefone 100 é o canal do denunciante com a quebra desse tabu. A secretária de Assistência Social, Ana Petroneto, confirmou a intenção da Prefeitura de Vitória, em identificar mais de perto esse problema, a fim de buscar soluções por parte do poder público. “Esse Seminário é importante porque abre espaço para o debate sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes. Ao contrário do que muita gente pensa, existe muita violência dessa natureza”, comentou ela.
A gerente de Proteção Social à Criança e ao Adolescente da Semas, Helena Marfisa, destacou que a denúncia dos casos tem de sair do âmbito privado para quebrar o muro do silêncio. “As pessoas têm de ficar atentas. É possível acontecer com qualquer família. Normalmente, as pessoas pensam que não ocorre, mas a exploração sexual existe e estamos buscando soluções”.
. Sinais de que a criança sofreu violência sexual
Crianças e adolescentes que sofrem algum tipo de violência sexual podem apresentar sintomas como: medo de algumas pessoas ou de alguns lugares; achar que tem o corpo sujo ou contaminado; temor irracional diante do exame físico; agressividade excessiva; baixo rendimento escolar; inquietação; dificuldade em se concentrar; baixa auto-estima; roupas rasgadas ou manchadas de sangue; hemorragia vaginal ou retal; problemas com sono ou pesadelos; isolamento de amigos e família; uso de drogas, álcool e outras substâncias tóxicas e fugas do lar. (Fonte: Projeto Sentinela, Semas, PMV). (Ludmila Pecine e Janete Carvalho)
Leia também:
Seminário sobre violência contra crianças mobiliza vários segmentos sociais
|