Gays discutem em Conferência garantias de direitos humanos

 

Preconceito e discriminação são comuns na vida daqueles que decidem por uma opção sexual diferente da imposta pela sociedade. A travesti Alexia França, 23 anos, moradora do bairro Santo Antônio, sofreu desde criança, uma pressão psicológa tão forte na escola, que não conseguiu prosseguir com os estudos e abandonou tudo no primeiro ano do ensino médio. "É uma história de vida cheia de casos de agressão, xingamentos e sofrimento por sentir na pele a dificuldade de me inserir no meio social onde os direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais são violados. Decidi largar tudo quando levei um soco na testa dentro da escola porque sou travesti", contou.

Kadija Fernandes
Os grupos de debate foram concorridos Alexia França relata que já sofreu muita discriminação e violência
Kadija Fernandes
Mesas redondas também fazem parte da programação Bruno Alves de Souza, gerente de Políticas de Direitos Humanos da Semcid

A realidade de Alexia e tantos outros que, assim como ela, têm uma orientação sexual diferente da heterosexual, estão em debate nesta segunda-feira (28), no Alice Vitória Hotel, Centro, onde prossegue a I Conferência Estadual de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais, iniciada na noite de domingo (27), numa promoção da Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades) em parceria com a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos (Semcid). Segundo o Gerente de Políticas de Direitos Humanos da Semcid, Bruno Alves de Souza, um dos objetivos da organização desse público é avançar nas questões legais, como a instituição de uma lei que criminaliza a homofobia, além de punir qualquer pessoa que faça discriminação pela orientação sexual.

A solenidade de abertura contou com a presença do Subsecretário da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Perly Cipriano, que falou sobre a longa luta para garantir os direitos do público GLBT e a manutenção de ações que fortaleçam medidas contra o preconceito e a discriminação ainda presente. Prestigiaram também o evento o titular da Setades, Givaldo Vieira e a secretária em exercício na Semcid, Benedita do Nascimento Martins, além de representantes dos movimentos sociais ligados ao público GLBT.

Os 150 delegados foram divididos em cinco grupos de trabalho: educação, saúde, cultura, segurança e trabalho, com o objetivo de analisar o texto base do Governo Federal para a Conferência Estadual e retirada de propostas para levar à Conferência Nacional sobre o tema, a ser realizada em Brasília, de 6 a 8 de junho. Do Espírito Santo irão participar 16 delegados, sendo 10 representantes da sociedade civil e 6 do poder público. (Janete Carvalho)

PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira – 28 de abril

08h às 10h   Credenciamento
08h30 Instalação dos Grupos de Trabalho
12h  Encerramento dos Grupos de Trabalho
12h10  Almoço
13h30   Plenária para análise, discussão e aprovação das propostas dos Grupos de Trabalho
Coordenação da Mesa: Bruno de Souza. Secretário: Leonardo Viso.

16h  Intervalo
16h10  Eleição de Delegados à Conferência Nacional
17h40   Plenária Final de Encerramento
18h   Coquetel de Encerramento com apresentação cultural

28 de abril de 2008

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